Com um desemprego le­vemente menor e a confiança maior com o novo governo entre os empresários e os con­sumidores, os supermercados paulistas projetam alta de 5% nas vendas da Semana Santa, que começa na Sexta-Feira da Paixão, 19 de abril, e vai até o Domingo de Páscoa, dia 21 – também feriado de Tiradentes.

O ovo de Páscoa deve ficar 5% mais caro em relação ao ano passado e os supermercados estão cada vez mais rígidos em suas encomendas com a indús­tria. Algumas lojas reportam até 40% de encalhe pós-celebra­ção e isso se deve a diversos fa­tores, como a crise econômica, a diminuição do tamanho das famílias, o aumento do número de solteiros e envelhecimento da população.

Tudo isso faz com que o ovo de chocolate deixe de ser ten­dência, principalmente os com peso superior a 500 gramas, de menor giro e apelo. Para ilustrar a queda no consumo, em 2015 foram produzidos 80 milhões de unidades, e em 2017 a produção caiu para apenas 36 milhões, re­tração de 55%. Os dados são da Associação Paulista de Super­mercados em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Índice Apas/Fipe).

Na última pesquisa de con­fiança, 54% dos empresários do setor estavam otimistas com o futuro, sendo que 85% confia­vam em aumento das vendas nos próximos meses. O segun­do teste do ano pós-carnaval é a Páscoa, ainda a segunda melhor data para o varejo de alimentos depois do Natal, não só pelos chocolates, mas pelas compras de almoço e/ou jantar que as fa­mílias realizam.

Preços
Cacau, leite, açúcar, farinha e componentes químicos formam os ovos de Páscoa e doces em geral. Terceiro maior mercado de chocolates do mundo, não é de surpreender então que o produto em barra acumule alta de 5,62% em doze meses até ja­neiro. Em geral, o preço dos do­ces vai subir 2,33% beneficiados pelo bombom e as balas.

O vinho, que serve de pre­sente e em cidades maiores é apreciado na data junto com o macarrão, vão deixar o almoço em família mais caro. A bebida deve ter alta de 5% e a massa fresca, influenciada pelo preço do trigo, vai subir cerca de 8%. Para o bacalhau, tradicional na época, a previsão é de reajuste em torno de 21,83%, o que deve afastar o consumidor, segundo a Apas. Cerveja e ovo – as vendas caem durante a quaresma – de­vem ter queda de 7%.

Em relação às vendas, os supermercadistas em relação aos chocolates têm como lí­der de expectativas a caixa de bombom, com 5,88% o que segue a tendência dos últimos anos de crescimento deste produto na medida que o consumidor migra para ver­sões mais baratas e com cus­to benefício percebido maior. O ovo de Páscoa terá tímido crescimento de apenas 2,40%, nada mais um reflexo do pro­duto saindo do gosto do con­sumidor tanto por questões de maior informação de que o preço por quilo não compen­sa quanto pela dura crise que o país passa. A venda de cer­veja deve crescer 6,5% e a de peixes, 5,88%.

Sobre a Apas
A Associação Paulista de Supermercados representa o setor supermercadista no Esta­do de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento. A entidade tem 1.445 associa­dos, que somam mais de 3.256 lojas. Em 2017, a Regional de Ribeirão Preto foi responsável por 5,9% do faturamento do setor supermercadista paulista, o que equivale a aproximada­mente R$ 6,6 bilhões.

Aqui, o setor emprega, apro­ximadamente, 31 mil colabora­dores. Só na metrópole o setor faturou, no ano passado, R$ 1,9 bilhão, o que equivale a 29% da região e 1,7% do faturamento de todo o estado. A Apas possui dez regionais em São Paulo e mais cinco escritórios distritais na capital paulista. A de Ribeirão Preto é composta por 78 cidades e possui 116 associados em toda sua área de cobertura. O empre­sário Rodrigo Canesin, do Su­permercado Canesin, é o atual diretor regional da entidade.

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