WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO/ARQUIVO

O ribeirão-pretano Antônio Palocci Filho, ex-ministro da Fa­zenda e da Casa Civil dos gover­nos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016), respecti­vamente, assinou nesta quarta-feira, 9 de janeiro, seu terceiro acordo de colaboração premia­da, desta vez com o Ministério Público Federal (MPF), no âm­bito da Operação Greenfield, que mira desvios nos maiores fundos de pensão do País.

Desde segunda-feira (7), o ex -petista presta depoimentos aos investigadores na Procuradoria da República no Distrito Fede­ral, em Brasília. Na edição desta quarta-feira, o Tribuna mostrou que em seu acordo Palocci vai abordar a atuação do ex-presi­dente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que a Funcef (Caixa Econômica Federal) e a Petros (Petrobras) entrassem como acionistas da Norte Energia, proprietária da usina hidrelétri­ca de Belo Monte. Os dois fun­dos, dos funcionários do banco e da petrolífera estatais, respecti­vamente, possuem 10% cada de participação na usina.

Deflagrada em setembro de 2016, a Greenfield investiga su­postas irregularidades em fun­dos de pensão ligados a quatro empresas estatais – Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras). Postalis (Correios) e Funcef (Caixa Econômica Federal). Em um primeiro depoimento aos procuradores da Operação Greenfield, ainda em 2018 e sem ter assinado um acordo, Palocci já havia dito que o ex-presidente interferia em investimentos dos fundos de pensão desde a déca­da de 1990 e que teria recebido propina por causa de sua atua­ção relacionada à construção de Belo Monte.

“Que em outros casos de atuação direta do ex-presidente Lula, como dos caças, com atu­ação do presidente francês, re­ceberam vantagens Lula e o PT, ou no caso de Belo Monte”, disse Palocci. O ex-ministro já assinou um acordo de colaboração com a Polícia Federal de Curitiba no qual abordou crimes cometidos no âmbito da Petrobras. Um se­gundo, fechado no final do ano passado com a PF de Brasília e que tramita em sigilo, envolve acusações contra alvos com di­reito a foro privilegiado, como políticos com mandato.

Agora, o ex-ministro assina um novo acordo com os inves­tigadores de Brasília para falar sobre sua atuação nos fundos de pensão. O acordo, no entanto, ainda precisa ser homologado pela 10ª Vara Federal de Brasí­lia. Palocci está na capital fede­ral com seus advogados desde a manhã desta segunda, vindo de São Paulo. O trajeto foi feito de carro para evitar exposição nos aeroportos das duas cidades – pela Rodovia Anhanguera (SP- 330), passou por Ribeirão Preto, sua terra natal, onde foi prefeito por duas vezes (de 1993 a 1996 e de 2001 a 2002).

Deflagrada em 5 de setem­bro de 2016, a Greenfield já ha­via mapeado em sua primeira fase possíveis irregularidades no investimento em Belo Mon­te. À época, no pedido de pri­são do ex-presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, os investi­gadores citam um possível des­dobramento da apuração cujo alvo seria a obra de Belo Monte. Segundo Palocci, Lacerda “tinha uma atuação mais ampla em re­ceber ilícitos” e “que não resistia quase nada” sobre pedidos de políticos do PT para que investi­mentos dos fundos resultassem em repasses para o partido e campanhas política.

Palocci foi condenado a nove anos e dez dias de prisão por corrupção e lavagem de di­nheiro. Em setembro de 2016, ele foi preso na Operação Omer­tà, desdobramento da Lava Jato. Para se livrar da prisão, fechou acordo de delação com a Polí­cia Federal, homologado pelo desembargador Gebran Neto, relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). No dia 29 de novem­bro, o ex-ministro deixou a pri­são dois anos e três meses depois de detido para cumprir pena provisória em regime prisional semiaberto domiciliar, com tor­nozeleira eletrônica.

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