Estimulados pela quarentena da pandemia, muitos de nós descobrimos a cozinha e aprendemos, não sem muito esforço, que podemos perpetrar alguns pratos e algumas sobremesas. Não são tão perfeitos como os provenientes de cozinheiras e cozinheiros experientes ou profissionais, mas nos dão o prazer de preparar a própria comida, o que é comum nos países mais desenvolvidos, onde inexistem os trabalhadores domésticos.

Além da comida, começamos a dar conta de alguns instru­mentos que facilitam a novel arte. A Air Fryer é um deles, que permite “fritar”os alimentos por jato de ar quente, evitando assim a gordura, que, em excesso, é um grande mal para a saúde. Aprendemos que a mandioca ali feita é tão saborosa quanto a que é perpetrada no azeite fervente e muito mais saudável.

Outro equipamento, indispensável nas cozinhas de hoje, é o forno de micro-ondas, inventado por acaso em 1946, por um engenheiro americano. Testando um equipamento de radar, o pesquisador percebeu que uma barra de chocolate que estava na bancada derreteu, sem ser submetido ao calor. Intuiu então que as ondas do equipamento faziam vibrar as moléculas do chocola­te, produzindo calor e o derretendo. Aperfeiçoado com o tempo, chegou hoje à forma que conhecemos.

Mas, o grande amigo do cozinheiro continua sendo o fogão. A primeira versão de um fogão primitivo foi ideia dos roma­nos, que construíram fornos de barro para ali cozinharem seus alimentos. O calor se expandia de maneira mais ou menos igual, permitindo um cozimento mais uniforme.

Em 1798, na Alemanha, Benjamin Thompson patenteou uma estrutura de tijolos, com uma canaleta, sobre a qual colo­cava-se uma placa de ferro com buracos. Através de uma boca abaixo da placa, alimentava-se o fogo, geralmente originário de lenha. O fogão a lenha, ainda hoje encontrado em restaurantes típicos mineiros, foi, por muitos anos, utilizado no nosso país.
No final do século XIX, foi inventado um fogão de ferro fundido, pesado, com as bocas e um forno central. Entretanto, o cozimento à lenha não era uniforme.

A grande sensação dos anos 1920-1930 foi o fogão elétrico, popularizado nos Estados Unidos, devido à abundância desta energia. Tinha a grande vantagem de aquecer rapidamente as sua bocas, placas de vidro com resistências embutidas. Como nosso país tinha problema na geração de eletricidade, aqui ele foi utilizado muito pouco. Para substituir o fogão à lenha, começa­ram a ser usados os que queimavam gás. Invenção do final do século XVIII, na Inglaterra, utilizava inicialmente o mesmo gás canalizado para uso na iluminação pública.

O início do uso do fogão a gás em nosso país deveu-se, ironicamente, a uma tragédia. Até 1937, havia uma linha regular de zepelins ligando a Alemanha ao Rio de Janeiro e outra à New York. Cada chegada provocava o interesse público e várias pessoas iam ver seu pouso. Assim fizeram os norte-americanos, no dia 06 de maio de 1937, em Lakehurst, subúrbio de New York e testemunharam a gigantesca explosão do dirigível, com várias vítimas. Este acidente decretou o fim da aeronave.

No Brasil, havia um grande depósito de gás propano, usado no dirigível, que se tornara inútil. Foi quando Ernesto Igel, um empresário austríaco radicado no Rio teve a ideia de transferi-lo para pequenos botijões e vende-los no merca­do. Vencida a indecisão inicial, a nova opção do combustível se popularizou. Hoje, com melhoramentos tecnológicos e usando GPL – gás liquefeito do Petróleo – passou a ser presença cons­tante nos lares brasileiros.

Quer sejam a gás ou elétricos, os fogões são companheiros indispensáveis de nosso sucesso ou fracasso culinário.