Paulo Guedes chama servidor de ‘parasita’

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O governo brasileiro está quebrado porque gasta 90% da sua receita com o funcio­nalismo público, classificado como “parasita” pelo minis­tro da Economia, Paulo Gue­des. Ele considera urgente a aprovação da reforma ad­ministrativa ainda este ano, para que o dinheiro deixe de ser carimbado e chegue onde realmente faz falta.

“O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospe­deiro está morrendo. O cara funcionário público virou um parasita e o dinheiro não está chegando no povo”, disse Gue­des na manhã desta sexta-fei­ra, 7 de fevereiro, sendo muito aplaudido durante palestra no seminário Pacto Federativo, promovido pela Fundação Ge­tulio Vargas (FGV).

Segundo ele, os funcioná­rios públicos querem aumento automático, enquanto “80% da população brasileira é a favor inclusive de demissão do fun­cionário publico, estão muito na frente da gente”, comple­tou. Continuando a defesa da reforma administrativa, que ainda encontra resistência no Congresso Nacional, Guedes deu como exemplo os Estados Unidos, que ficam “quatro, cin­co anos sem ajustar o salário do funcionalismo” e quando concedem o aumento teriam o reconhecimento público.

“Aqui o cara é obrigado a dar e ainda leva xingamento”, afirmou. De acordo com Gue­des, a reforma administrativa deve chegar ao Congresso na próxima semana e vai resolver o problema do dinheiro carim­bado no Brasil. A declaração, de que os servidores públicos são como “parasitas” do orça­mento, repercutiu mal entre parlamentares e atraiu críticas públicas até de políticos que apoiam o governo.

O deputado Marcos Pe­reira (Republicanos-SP) foi ao Twitter dizer que ele e seu partido são “favoráveis à re­forma administrativa, mas o ministro Paulo Guedes não pode chamar todos os servi­dores públicos de ‘parasitas’”. “Não é por aí”, advertiu o par­lamentar. “Há bons e maus em todo lugar, até mesmo na equipe do Guedes. Ou ele acha que está tudo indo muito bem, obrigado?”, tuitou o político.

Outro parlamentar apoia­dor das pautas do governo, o senador Major Olímpio (PS­L-SP) disse no Twitter que o ministro da Economia “quer matar a vaca para acabar com o carrapato” e ressaltou que “parasita é uma expressão in­grata e irresponsável para se referir àqueles que na ponta da linha prestam serviços para a população”. O senador tem os policiais militares paulistas como sua base eleitoral.

Já a oposição subiu o tom nas críticas a Guedes. Talíria Petrone (PSOL-RJ) pergun­tou a seus seguidores se seria adequado chamar o ministro de “verme”. Correligionário de Talíria, Ivan Valente (SP) disse que Guedes “sempre foi ban­queiro, símbolo maior dos que vivem da agiotagem legalizada que suga metade do Orçamen­to da União”, em referência ao custo da dívida interna.

O Ministério da Economia divulgou nota afirmando que o ministro “reconhece a qua­lidade do servidor público”. O comunicado alega ainda que a imprensa “retirou de contexto” a declaração. O presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques, disse que o sindicato estuda recorrer à Justiça contra o “as­sédio institucional”.

No Twitter, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, compar­tilhou incrédulo a notícia sobre a comparação do ministro Paulo Guedes. “Não pode ser verda­de…”, escreveu. Após a reper­cussão negativa, o Ministério da Economia decidiu divulgar uma nota dizendo que, “após reconhecer a elevada qualida­de do quadro de servidores, o ministro Paulo Guedes, ana­lisou situações específicas de Estados e municípios que têm o Orçamento comprometido com a folha de pagamento”.

No comunicado oficial, Guedes se justifica dizendo que citava governos com despesas acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para gastos com pessoal. “Nessa situação extrema, não sobram recursos para gastos essenciais em áreas fundamen­tais como saúde, educação e saneamento”, diz a nota.