O Brasil perdeu a graça. Morreu nesta quinta-feira, 17 de agosto, aos 78 anos, o ator Paulo Silvino. De acordo com a Central Globo de Comunicação, ele es­tava em casa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Afastado da TV desde o ano pas­sado, o ator e humorista lutava contra um câncer no estômago. Na sua carreira artística, Paulo Silvino compôs e interpretou mú­sicas, escreveu e atuou em peças e filmes. Passou pelas extintas TVs Tupi, Continental, Rio e Excelsior. O ator estreou na Rede Globo em 1967, em “TV Ó – Canal Zero”.

Autor de bordões que não saem da boca do povo, Paulo Sil­vino iniciou a carreira no rádio, mas já nos anos 1960 se juntou ao elenco da TV Rio. Entre idas e vindas na Globo, estrelou “Ba­lança Mas Não Cai” (1968) e teve destaque nos programas humo­rísticos “Faça Humor, Não Faça Guerra” (1970), “Uau, a Compa­nhia” (1972), “Satiricom” (1973), “Planeta dos Homens” (1976), e “Viva o Gordo” (1981). “Em Zorra Total” (1999), seu personagem Se­verino (o porteiro quebra-galhos que analisa “cara e crachá”) se tornou popular. Também atuou em “Brasil Pandeiro”, “Cassino do Chacrinha” e “Escolinha do Professor Raimundo”. No SBT, onde trabalhou entre 1989 a 1992, participou de quadros na “Praça é Nossa” e na “Escolinha do Golias”.

Paulo Ricardo Campos Silvi­no cresceu nas coxias do teatro e nos bastidores da rádio. Isso por­que seu pai, o comediante Silvério Silvino Neto, conhecido por reali­zar paródias de figuras públicas no Brasil dos anos 1940 e 1950, levava o menino para acompanhar seu trabalho. Paulo Silvino também mostrava talento para a música, revelado durante as aulas que ti­nha com a mãe, a pianista e pro­fessora Noêmia Campos Silvino.

“Eu nasci nisso. Com seis, sete anos de idade, frequentava os te­atros de revista nos quais o papai participava. Ele contracenava com pessoas que vieram a ser meus co­legas depois, como o Costinha, a Dercy Gonçalves.”, disse o ator em entrevista ao Memória Globo. Sil­vino nasceu no Rio de Janeiro em 27 de julho de 1939 e pisou num palco pela primeira vez aos nove anos de idade, quando se atreveu a soprar as falas para um ator de uma peça que o pai participava. Na adolescência, ele se apresenta­va como crooner de um conjunto de rock, acompanhado por músi­cos como Eumir Deodato (acor­deon), Durval Ferreira (guitarra) e Fernando Costa (bateria).

Seu lado cômico já se mani­festava durante os números do quarteto. Quando cantava Sin­gin’ in the Rain, por exemplo, costumava abrir um guarda­-chuva no palco. A primeira per­formance profissional aconte­ceu em 1956. Anunciado como Paulo Ricardo, para evitar associa­ções com o pai, can­tou dois sucessos de Little Richards para a plateia do Programa César de Alencar, na Rádio Nacio­nal. Durante a apresentação, rasgou as pró­prias roupas e, apoteoticamente, comeu o medalhão de “ouro” que estava usando, na verdade, um biscoito pintado de amarelo.

Na década de 1970, o come­diante trabalhou nos programas Faça Humor, Não Faça Guer­ra (1970), Uau, a Companhia (1972), Satiricom (1973) e Planeta dos Homens (1976). Deixou sua marca como intérprete de perso­nagens lunáticos e criou bordões absurdos como “Ah, eu preciso tanto!”, “Eu gosto muito dessas coisas!”, “Guenta! Ele guenta!”, “Ah, aí tem!” e “Dá uma pega­dinha!”. O corpo do ator será velado nesta sexta-feira (18), à partir das oito horas, na capela 8 do Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro. O velório estará aber­to ao público das nove às 12 ho­ras. A cremação será às 14 horas.

O ator Lúcio Mauro Filho disse: “Mais um mestre parte para outra dimensão, deixando corações partidos. Paulo Silvino, meu amado! Meu pai dirigia o programa ‘Balança Mas Não Cai’, que era apresentado pelo Silvino.” Ele também foi homenageado pelo humorista Hélio de la Peña: “Muito triste com a morte do Pau­lo Silvino. Cara muito gente boa que me fez rir muito. Descanse em paz, Paulo. Mas não esqueça o crachá!”, escreveu no Twitter. Evandro Mesquita, Marcos Val­le, outros artistas e fãs também se manifestaram sobre a morte do humorista nas redes sociais. Silvi­no era muito amigo de Jô Saores, com que trabalhou na maioria dos programas de humor da Globo.

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