Jornal Tribuna Ribeirão

Pé na Tábua abre nova temporada

FOTO: CAROL CB

A Companhia de Sapate­ado Pé na Tábua, de Ribeirão Preto, terá pela primeira vez, em sua trajetória, a criação de uma trilha sonora desen­volvida especialmente para o grupo, para seus mais re­cente espetáculo, “Atalhos”. Para isso, conta com o talento do compositor carioca João Callado (cavaquinhista, ar­ranjador, diretor e produtor musical com CDs solo, CDs e DVDs com Teresa Cristina e Grupo Semente, além de vá­rias participações em traba­lhos de outros artistas).

Tudo começou quando a companhia coreografou uma de suas músicas, chamada “São Jorge/ Marte Instru­mental” e entrou em conta­to com o compositor para mostrar o trabalho. A partir da admiração do grupo pela obra musical de Callado, teve início o sonho dessa parceria, que teve dois anos de tenta­tivas de aprovação em editais de incentivo à cultura, até ser concretizada em 2021, com apoio do ProAC – Produção de Espetáculo Inédito e Tem­porada de Dança 03/2020.

Além de Callado, outro grande artista colabora nesta obra, Charles Raszl, percus­sionista corporal integrante do Grupo Barbatuques, é o provocador cênico de “Ata­lhos”. Atualmente residente na Itália, o artista realizou encontros remotos com a companhia por meio de ví­deo-chamadas, onde desen­volveu aspectos importantes da dramaturgia e do repertó­rio de gestos e sons do grupo.

Raszl vem se apresentando e promovendo workshops de “Música Corporal na Gestu­alidade das Danças Brasilei­ras” em diversos países como Alemanha, Suíça, Polônia, Turquia, França, China, Gana, Espanha e Itália, difundin­do a pesquisa entre a música corporal e danças tradicionais brasileiras, desde 2013.

Espetáculo
“Atalhos” é fruto do pro­cesso investigativo plural da Cia. Pé na Tábua. Com pro­vocações de Charles Raszl e trilha sonora de João Calla­do, o sapateado se impulsio­na por meio do estudo cole­tivo em polirritmias, rítmicas brasileiras e percussão cor­poral. A partir do chão, e da composição gestual-percus­siva-visual, há transposição das pulsações rítmicas de pés e mãos para toda a pele.

Propondo uma experiên­cia cinestésica e uma estética minimalista da cena, com­posta pelo tablado de madei­ra e dramaturgia da luz, os elementos rítmicos brasilei­ros e a paleta de cores presen­tes no figurino, sapato e chão, destacam-se como solo fértil e amplo para essa obra que busca ampliar as escutas.

A temporada online acon­tecerá no canal do YouTube da Cia. Pé na Tábua (https:// www.youtube.com/ciapenata­bua), de 2 a 5 de dezembro, às 21 horas, e o acesso é gratuito. A segunda temporada conterá o recurso da audiodescrição e acontece na semana seguin­te, de 9 a 12 de dezembro, no mesmo horário.

A companhia é compos­ta pelos sapateadores Renata Defina, Ana Luiza Yosetake e Rodrigo Lima. Para acom­panhar todas as ações em an­damento da Cia. Pé na Tábua, basta acompanhar as redes sociais @ciapenatabua (Ins­tagram, Facebook e Youtube) e website www.ciapenatabua.com.br.

Depoimentos
“A presença de João Calla­do assinando a trilha sonora e de Charles Raszl com sua percussão corporal de pesqui­sa representam um marco na nossa história. Sentimos que nossa arte está amadurecen­do. A participação destes dois grandes artistas motiva nossa resistência e nos impulsiona a seguir criando em meio a tan­tas adversidades”, declara Re­nata Defina, sapateadora e ide­alizadora da Cia. Pé na Tábua.

“Quando o grupo usou minha música São Jorge eu fiquei super feliz. Eu tinha composto essa música para o meu primeiro disco solo. É um tema instrumental, qua­se erudito. Vi a coreografia e achei muito legal essa música ter sido escolhida. Quando eu fui convidado para criar a trilha de ‘Atalhos’, fiquei muito feliz, pois é umas das coisas que eu mais gosto de fazer”, informa João Callado.

“Ao trabalhar com grupo, o mais desafiador é a afini­dade de quem está de fora e de quem está dentro. Nes­se sentido, foi muito feliz o nosso encontro, pois tenho a impressão de que o que eu propunha era muito aco­lhido e entendido. O grupo assimilava uma provocação, uma ideia, uma sugestão e fazia daquilo uma outra coi­sa, transformava”, argumenta Charles Raszl.

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