ALFREDO RISK/ARQUIVO TRIBUNA

O discurso do governo Jair Bolsonaro (PSL) de não mexer nos preços dos combustíveis não resistiu à disparada do barril do petróleo na segunda­-feira (16), em consequência dos ataques a instalações pe­troleiras na Arábia Saudita, que baixaram pela metade a produção do maior exporta­dor da commodity do mun­do. Nesta quarta-feira, 18 de setembro, a Petrobras anun­ciou que vai elevar o preço médio do litro da gasolina nas refinarias em 3,5% e o do óleo diesel em 4,2% a partir desta quinta-feira (19).

O litro da gasolina vai sal­tar de R$ 1,701 para R$ 1,760, R$ 0,059 por litro, e o do diesel passará de R$ 2,159 para R$ 2,249, ou R$ 0,09 por litro – o combustível dos caminhonei­ros permanecia sem alteração desde 28 de agosto, e a gasolina desde o dia 5 deste mês. Na se­gunda-feira, a petrolífera estatal afirmou que manteria os valores até que os preços do petróleo se acomodassem no mercado in­ternacional. O repasse ou não do aumento aos consumidores depende das distribuidoras.

A Agência Nacional do Pe­tróleo, Gás Natural e Biocom­bustíveis (ANP) informou, por meio de nota, que está “atenta” para possíveis cobranças abusi­vas por combustíveis no Brasil. A cotação internacional do pe­tróleo sofreu uma alta depois de ataques a uma refinaria na Ará­bia Saudita, na semana passada.

Segundo a nota da ANP, os preços no Brasil são “li­vres, por lei, em todas as eta­pas da cadeia: produção, dis­tribuição e revenda. Diante de denúncias de preços abu­sivos, a agência faz ações de campo para confirmar essas suspeitas. Quando constata a prática de preços abusivos, a agência atua em conjunto com os Procons para penali­zar os infratores”.

Representante dos postos de revenda de combustíveis do Es­tado de São Paulo, José Alberto Gouveia, presidente do Sincope­tro-SP, havia dito que os preços da gasolina e do óleo diesel subi­riam apenas se a Petrobras rea­justasse sua tabela nas refinarias e se as distribuidoras repassarem o aumento. “Até o momento, está tudo como estava”, comple­mentou na terça-feira (17).

Ele argumenta ainda que a maior parte da venda dos pos­tos, 65%, está concentrada no etanol e não na gasolina e no diesel. Portanto, a receita da re­venda também está concentrada no combustível. Com os deri­vados de petróleo mais caros, o esperado é que o comércio de ál­cool cresça ainda mais. O ataque a unidades de processamento de petróleo da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, no sábado (14), foi reivindicado pelos rebeldes houthis do Iêmen, e compro­meteu metade da produção da petrolífera saudita. Com isso, os preços do petróleo dos tipos Brent e WTI mostraram alta de mais de 10%.

Até o início da noite desta quarta-feira, Nos postos ban­deirados de Ribeirão Preto, o litro da gasolina custa, em mé­dia, R$ 4,40 (R$ 4,397), mas há revendedores que cobram R$ 4,30 (ou R$ 4,299) e outros que praticam preços mais altos, de até R$ 4,60 (ou R$ 4,599). Em parte dos sem-bandeira, o de­rivado de petróleo custa R$ 3,80 (R$ 3,799), que é a média na cidade, mas há locais onde é vendido por R$ R$ 3,76 (R$ 3,759) e R$ 4,20 (R$ 4,199). O consumidor deve pesquisar.

Vários postos oferecem descontos para quem pagar em dinheiro. Nos postos franque­ados de Ribeirão Preto, o litro do diesel é vendido, em média, por R$ 3,70 (R$ 3,699) – outros vendem por R$ 3,60 (R$ 3,599) ou R$ 3,80 (R$ 3,799). Nos in­dependentes “saí” por entre R$ 3,30 (R$ 3,299) e R$ 3,50 (R$ 3,499). O mais recente levanta­mento da ANP, realizado entre os dias 8 e 14 de setembro, em 108 cidades paulistas, consta­tou que o preço médio do litro da gasolina em Ribeirão Preto é de R$ 4,031.O litro do diesel segue em R$ 3,431.

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