O início de todo ano é o momento do síndico tomar um tempo para fazer uma boa previsão orçamentária para o seu condomínio e também para pensar nas manutenções e melhorias que precisam ser feitas.

Por onde começar?
Junto com a administradora, o síndico deve fazer um levantamento de todas as despesas (ordinárias) dos últimos 12 (doze) meses.
Daí, conjuntamente, eles devem analisar cada grupo de despesas e verificar o que podem fazer para diminuir os custos ou renegociar contratos, lembrando que os maiores responsáveis pelos gastos são com a folha de pagamento (entre 50% e 70% da receita) e com as manutenções.
É importante, também, nesse momento, fazer uma pesquisa e avaliar se os contratos mensais com manutenção de piscinas, jardi­nagem, bombas, elevadores, portões etc, estão compatíveis com os valores praticados no mercado.

Cuidado com as contas de consumo!
As demais despesas também precisam ter uma atenção especial. No­ta-se, por exemplo, que a maioria das previsões de 2018 ‘furaram’ devido ao aumento fora da média das contas de consumo, como energia e água. Nos condomínios onde não há individualização dos consumos, o que inclui o gás, é sempre bom cobrá-los à parte, em forma de rateio.
Importante destacar que o uso do fundo de reserva não pode ser utilizado para cobrir os ‘furos’ da previsão orçamentária. Se necessário, deve-se convocar uma assembleia extraordinária de urgência e informar a todos os condôminos para que eles participem da solução.

Outras despesas
Além das despesas já mencionadas – folha de pagamento, con­tratos e consumos, outras despesas menores precisam da atenção do síndico e da administradora, como o próprio salário ou isenção de taxa do síndico, os honorários da administradora, as despesas com tarifas e boletos bancários, cópias, correios, produtos de limpeza, cartório, fundo de reserva e o seguro.
Neste último item (seguro), o síndico deve prestar muita atenção à apólice contratada e às coberturas. Tem acontecido muitos eventos dentro do condomínio como acidentes com veículos que nem sempre estão adequadamente cobertos. Essa não é a melhor despesa para o síndico cortar sem critério.Um especialista em seguros con­dominiais pode ser de grande ajuda nessa hora.
Ainda, importante salientar que no momento de se fazer o novo valor da cota condominial, o síndico deve levar em conta o percen­tual de inadimplência mensal e os possíveis reajustes nos contratos e na folha de pagamento (dissídios) no decorrer do ano.

O maior vilão do condomínio
Falando um pouco mais sobre a inadimplência, muitos síndicos se esquecem desse ‘vilão’ e deixam de levar em conta na previsão. Se houver uma inadimplência mensal fixa de 5%, por exemplo, ele deve incluir no orçamento, e, concomitantemente a isso buscar meios para sanar esse problema, que geralmente atrapalha qualquer previsão orçamentária.
Por fim, o gestor experiente sempre deixa uma ‘folga’ no orçamento para eventuais imprevistos, como um vazamento ou inadimplência que saia do controle em determinado mês. Esse percentual de ‘folga’ costuma variar entre 3% e 5% e pode aliviar bastante os imprevistos.

Aviso importante ao síndico
Não sucumba à pressão dos condôminos em não aumentar a taxa condominial. Se a previsão for bem feita, os valores serão compatíveis com a realidade das despesas. Diminuir ou deixar de aumentar as taxas somente para fazer política ou agradar condômi­nos pode causar um problema muito sério para você e para o condo­mínio, a não ser que os condôminos, na assembleia, concordem que se deixe de prestar parcialmente alguns serviços.
Boa assembleia para todos!

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