Ouvimos há décadas ou há séculos, que uma educação básica pública e de qualidade para todos seria a redenção do País, mas o tempo passou e nada, ou quase nada aconteceu para nos tirar do atraso vergonhoso que estamos perante o mundo. Mas nada vai mudar enquanto o principal personagem da educação (o aluno), que é a razão da existência das escolas e dos sistemas educacionais ficar renegado no final da fila das prioridades.

A Constituição, as Leis pertinentes a Educação, as Resoluções e Declarações Internacionais e Planos Nacionais mostram um caminho suave e iluminado para as nossas crianças, mas a realidade é dura e cruel. Somos conhecidos internacionalmente como um povo, que tem uma esmagadora maioria que não respeita as leis, e esse vicio na educação básica é inadmissível.

Há uma falácia já carcomida pelo tempo que fala da eterna falta de dinheiro para a educação básica, e pelo visto não é só a falta de dinheiro que contribui para a estagnação que vivemos na educação pública, pois se isso for verdadeiro, Ribeirão Preto deveria estar nas primeiras colocações nas avaliações nacionais – afinal somos a 24ª cidade mais rica do Brasil, mas a nossa educação básica não figura entre as primeiras mil cidades – para a nossa tristeza estamos em milésimo vigésimo quinto.

Estamos no século 21, com crianças do nosso tempo, mas as escolas públicas tanto municipais quanto estaduais estão patinando no século 19. Em localidades cuja prioridade passou a ser o aluno cumprindo as leis, mesmo sendo municípios mais pobres deram um salto exponencial na qualidade da educação básica. É triste ver que a escola opressora que povoou a infância da maioria dos adultos com mais de quarenta anos, produzindo traumas no aprendizado de matérias imprescindível para a vida, como matemática, português – trazendo para essas pessoas prejuízos incalculáveis, e por incrível que pareça essa pedagogia de “dinossauros” ainda encontra espaço na escola pública de hoje.

A convivência harmoniosa no ambiente escolar, que deveria ser a regra, passa a ser exceção, pois os conflitos são constantes, e o aluno é sempre o culpado. Não há espaço para os alunos se manifestarem, e a preocupação com os castigos e as punições são maiores do que procurar uma solução pedagógica para o problema. O processo de aprendizagem dos alunos não é igual para todos, como também as maneiras criativas para encontrar soluções para problemas que são apresentados, mas essa criatividade é podada por uma pedagogia que não admite outro caminho que não seja o caminho já percorrido tantas vezes pelo professor. Um aluno que use os dedos das mãos e dos pés para fazer a tabuada é repreendido, pois só se aceita a memorização e a decoreba.

Quantas crianças que têm uma criatividade extraordinária, e encontram soluções nada convencionais para as questões apresentadas são reprimidas porque pensaram fora da caixinha – há professor que tem prazer em fazer um xis cruzando a resposta do aluno, e escrever um errado em vermelho, sem analisar em qual contexto foi construída aquela resposta, isso pode marcar negativamente o aluno por toda a vida. Apavorar os alunos valorizando excessivamente os dias que são aplicados as provas de avaliações causando um desgaste emocional desnecessário, como se prova provasse alguma coisa – é um ato de crueldade sem explicação.

Mudar de patamar é possível – temos todas as condições para trilhar um novo caminho. Dinheiro não é o problema, pois somos uma das cidades mais ricas do País, a formação dos professores está entre as melhores do Brasil, portanto temos as duas principais condições para termos uma educação básica de qualidade. Mas para isso acontecer, os conflitos que vem ocorrendo entre os Docentes e o Executivo tem que ser solucionado. Colocar o aprendizado do aluno como a principal prioridade da educação básica municipal de Ribeirão Preto é imprescindível e urgente! Chega de deixar o aluno no fim da fila!

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