Praia do Indaiá, quiosque 33

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E lá fomos nós, eu e minha primeira-dama rumo a Caraguatatu­ba. Desde que nossos filhos partiram, essa viagem é nosso refúgio, tudo nela nos fortalece: paisagens de tirar o fôlego, pés de manacás da serra decorando o cenário… São mais de 450 quilômetros de Ri­beirão Preto até aquelas praias, mas os 146 quilômetros da Rodovia D. Pedro… poxa! A gente anda que anda e fica a impressão que não saímos do lugar. Além do mais, o que armaram de radar por todo o trajeto não está em gibi nenhum, amigo.

Lembrei-me que tinha o aplicativo Wase. Fiz uso, e embora seja cauteloso, às vezes cometo pequenos deslizes na velocidade. Mas, aquela voz feminina dava um toque e eu segurava a onda (rsrsr). Notei uma coisa que pratico faz algum tempo. Famílias param nos postos, reabastecem, usam os sanitários e depois voltam aos carros e lancham o que trouxeram de casa.

Os preços praticados pelos comerciantes estradeiros, faz um tempão, estão fora da realidade. No Frango Assado da D. Pedro, os caras têm a cara de pau de cobrar mais de cinquentão por um san­duíche de frango, queijo e tomate, um absurdo.

Mas voltemos à Praia do Indaiá. Cheguei à tardinha e fui picar cartão no quiosque 33, o “La Belle”, um primor tanto em qualidade quanto em atendimento. Frequento ali acho que faz uns quatro ou cinco anos. Da temporada passada ainda está por lá o garçom João, um ser humano de primeira. Os demais também são super atenciosos.

O dia nos presenteou com um sol show de bola. Lá estava eu, assim como disse o poeta Vinicius de Morais na sua composição com Toquinho “Tarde em Itapuã”, vestido com meu velho calção de banho, o dia pra vadiar, aquele mar que não tem tamanho, só não tinha o arco-íris. Mas tinham várias Sete Copas que com seus longos galhos, abrigavam em sua refrescante sombra inúmeras famílias, todas man­tendo a distância orientada e fiscalizada pela direção do quiosque.

Como nos anos anteriores, pedi licença a minha Sete Copas para desfrutar de sua sombra e ali mesmo abri meu minúsculo boteco, de frente pro mar, bem no seu tronco. Seguindo orientação do João garçom, consultei Gabriel, o homem do tempo, um senhor que vende milho verde e faz ponto bem na minha frente. Diz que acerta a previsão mais do que os meteorologistas, e posso garantir que sim, acertou nos 12 dias em que lá fiquei.

Tratei logo de fazer amizade com quem avizinhava. Sempre digo que Deus escolhe as pessoas para se aproximarem da gente, e desta vez não foi diferente. Cidão e Andréia, um casal maravilhoso de Bom Jesus dos Perdões, cidade colada a Atibaia. Eles se afinaram conosco e foram dias lindos, com papos que nem percebíamos o tempo passar. Cidão é engenheiro civil em Atibaia, onde é responsá­vel por grandes obras.

Diz que Atibaia possui o segundo melhor clima do mundo, só per­dendo pra uma cidade da Austrália. Tornou-se meu parceiro de longas caminhadas pelas areias à beira-mar. A história de vida de Cidão me encantou. Está em “Perdões”, como eles costumam dizer, faz mais de 30 anos, veio de Minas Gerais onde exercia a profissão de pedreiro. Por sua competência e talento, era disputado pelos engenheiros.

Na cidade paulista não foi diferente. Sempre lutando muito, pres­tou vestibular pra Engenharia Civil, seu sonho, e passou, formou-se juntando a teoria com a prática. Só poderia gerar o profissional que é. Cidão e Andreia voltaram pra casa três dias antes da gente. Como costumo chegar ao quiosque 33 tipo oito da manhã, lá estava o casal nos esperando para a despedida.

Encontros e despedidas fazem parte de nossas vidas.

Sexta conto mais.