Quarta-Feira de Cinzas: início da quaresma!

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A Quarta-Feira de Cinzas, celebrada na semana passada, inicia na Igreja um período de quarenta dias de preparação à principal festa dos cristãos: a Páscoa do Senhor! Daí o nome: quaresma! É um tempo muito rico e que nos propõe alguns exercícios penitenciais, que visam melhorar nossa qualidade de vida, como cristãos, filhos de Deus e irmãos uns dos outros. A quaresma vai da Quarta-Feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa, exclusive.

A Igreja prescreve tanto para a Quarta-Feira de Cinzas, como para a Sexta-Feira Santa um dia de jejum e abstinência o que não significa que ao longo deste tempo não se façam tais ou outros exercícios que nos levem a uma maior solidariedade e fraterni­dade para com os mais pobres.

Os exercícios quaresmais de penitência são: a oração, o jejum e a esmola! Os cristãos são chamados a aprimorar a qualidade de sua relação com Deus através de maior tempo de recolhimento e oração, na meditação da Palavra e na escuta da vontade de Deus para com a humanidade; a aprimorar a qualidade de sua relação consigo mesmos através do jejum e a aprimorar a qualidade de sua relação com os irmãos menos favorecidos, através da esmola, que melhor soaria como partilha!

Nossa oração, como diálogo, só é capaz de chegar ao coração de Deus, quando brota do nosso próprio coração. Do contrário seria a mesma coisa, como falar num telefone desconectado. Nosso jejum não pode reduzir-se a uma simples dieta que nos ajude a emagrecer, porque deixamos de consumir certas gulo­seimas que geralmente engordam. Não podemos esquecer que nossa região possui um dos lixos mais luxuosos do Brasil, ou seja, comida manufaturada jogada no lixo. Mais esbanjamos do que consumimos do necessário.

É a comida que sobra nos pratos por conta de etiquetas já ultrapassadas ou que azeda nas panelas de nosso povo. Nossa esmola não pode reduzir-se a um simples desencargo de cons­ciência ou ato de dó. Deve transcender ao esforço de que todos, principalmente os que têm menos do que nós, possam viver com igual dignidade humana.

A Campanha da Fraternidade sugere a Coleta da Solidarieda­de que acontece em todas as comunidades do Brasil no Domin­go de Ramos. O resultado dessa coleta é investido em projetos de promoção humana, favorecendo os que tantas vezes nossa sociedade de consumo exclui, mas que sempre foram os preferi­dos de Deus.

Gosto de sugerir que esta coleta seja o resultado dos exercí­cios quaresmais de penitência: a oração, o jejum e a abstinência que remetemos aos mais pobres do que nós. De nada valerá contribuir com a Coleta da Solidariedade, colocando determi­nado valor que não nos faça falta. Mas se nossa contribuição for o resultado do nosso jejum e de nossa abstinência, durante os quarenta dias da quaresma, o valor será agradável a Deus e pro­duzirá frutos saborosos em benefício dos mais necessitados.

Sugiro que façamos as contas de quantos refrigerantes, sorve­tes, carnes ou outros prazeres deixaremos de consumir por conta de nosso jejum e de nossa abstinência. O resultado destes é que deveria ser oferecido no dia da coleta e jamais uma quantia qual­quer. Nosso jejum e nossa abstinência só agradarão ao coração de Deus, enquanto forem revertidos em benefício de quem tem menos do que nós.

Sejamos, nesta quaresma, melhores do que em todas as an­teriores. Assim seremos mais autênticos diante de Deus, de nós mesmos e dos outros.