Quero paz no meu coração!

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A minha geração cantou muito essa música que parecia o “hino oficial” do final do ano: e continuava dizendo “quem quiser ter um amigo que me dê a mão”. Era bonito, emocio­nante, mas depois do efeito emotivo das festas tudo voltava ao normal e a carruagem voltava a ser abóbora, a Cinderela continuava escrava da megera e ninguém se lembrava da paz no coração ou da mão estendida aos amigos.

Quantas promessas de início de ano que eu vejo e escuto de diversas pessoas com uma certeza que os grãozinhos da romã, ou as ondinhas do mar por si resolvem todos os pro­blemas. Aí a pessoa acorda e a vida continua na mesma.

Essas promessas, desejos e sonhos dependem do passo que damos em direção a eles; a vida se transforma se eu der o primeiro passo. Desejos de início de ano parecem-se com a reforma da previdência que quer economizar cortando os benefícios dos aposentados, como se resolvesse o problema. Até agora ninguém falou de cortar os privilégios, mordomias e similares que são um verdadeiro deboche da classe política em relação ao povo que sempre paga a conta.

O ano que começa precisa nos encher de ânimo e entu­siasmo. Há muitos desejos e sonhos que podem se realizar; eles começam dentro de nós, dependem de nossa decisão. Quem deseja “saúde para dar e vender”, no mínimo precisa cuidar da própria saúde; as dietas durante o ano novo devem significar não só reduzir o consumo de alimento, mas evitar o desperdício que gera a miséria, partilhar o alimento com quem fica dias e meses sem comer…

Há os que querem malhar para ficar com o corpinho sara­do, idolatram a academia, não podem ouvir falar das “rugas”… O Papa disse que as rugas não nos enfeiam, o que nos enfeia são as “manchas” do egoísmo, da arrogância. Investem no corpo que fica bonito por fora e não tem nada por dentro. São adultos só na idade, pois a fé não lhes ilumina a vida. Ainda escutei alguém dizer que no ano novo vai começar a investir no futuro dos seus filhos. E lhes enche de presentes, tecno­logia, tablets, games, e não ensina a buscar a Deus. Quantos filhos com a vida desorientada por falta do incentivo da fé. Se os que rezam enfrentam cada “buchada” no dia a dia, imagina os que idolatram o mundo, a fama e o poder.

Eu não sou contra as famosas “promessas de fim de ano”, só penso que elas são esquecidas no dia primeiro de janeiro à noite. Tenho até algumas sugestões para a gente conquistar no ano novo: trabalhar a favor da Paz, desarmando as arti­manhas da ira, do ódio e do preconceito. Lutar contra toda violência praticando o respeito ao pensamento do próximo, vencendo a intolerância e os rótulos.

Creio que ainda tem espaço para mais alguma sugestão para ser vivida no ano novo: evitemos reclamar, murmurar ou ofender. Ao invés, amemos mais, escutemos mais os irmãos, perdoemos mais, rezemos mais, ajudemos mais, sirvamos mais, participemos mais da comunidade, da cidade e da so­ciedade e semeamos os valores do Evangelho.

Já na próxima semana os Poderes constituídos: Suprema Corte, Senado, Câmara dos Deputados, Vereadores e Outros retomam suas atividades chamadas “normais”. O que esperar de nossos Governos afogados na lama de dívidas, da colheita de desmandos dos anteriores, sem as mínimas condições de honrar com compromissos descumpridos há anos? Criati­vidade e competência na administração da “coisa pública”. Transparência e solidariedade de todos para com o Bem Co­mum e jamais individual. Chega de perguntar: “O quê vamos ganhar com isso?”. Sejamos unidos e assim neste ano que nasce novo não caberão os vícios do ano que se foi.