Recordação histórica

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Diz Rubem Cione em “História de Ribeirão Preto V vol. 1ª edição”…

A chamada Revolução de 30 foi iniciada em 3 de outubro e, de­pondo Washington Luiz da Presidência da República, nela colocou Getúlio Vargas. A notícia da vitória dos Revolucionários de 30 só chegou a Ribeirão Preto no dia 25. Liderada por grupo de oposicio­nistas à política então dominante, que era do Partido Republicano Paulista, a população se reuniu em praça pública para manifestações, ocorrendo excessos e atos de violência.

Além do empastelamento do Jornal “A Cidade” muitas outras tentativas de manifestações ocorreram…

O Dr. Camilo de Mattos ocupava a Prefeitura e os oposicionistas pretendiam sua deposição, houve, então, tentativa de depredação de sua residência, fato que não ocorreu, em virtude da coragem moral e cívica desse grande cidadão que apareceu desassombradamente frente à multidão, com toda sua família, impondo tal respeito que, até sua placa de advogado existente no portal de entrada, já arrancada pela fúria, foi na hora recolocada pelos manifestantes ali presentes.
O Palácio Rio Branco, onde até hoje é a sede do Governo Muni­cipal de Ribeirão Preto, foi tomado de assalto pela multidão.

Manifestações não são acontecimentos hodiernos…

Assumiram, felizmente, o comando da política local dois cida­dãos ribeirãopretanos compreensivos e dignos do respeito, aos quais se deve o restabelecimento da calma local: Albino de Camargo Neto e Antonio Engracia de Oliveira.

Em 9 de julho de 1932, a Revolução Constitucionalista, mo­vimento político-militar iniciado em São Paulo contra o governo Vargas, resultado da união entre o Partido Republicano, derrotado pela Revolução de 1930 e o Partido Democrático, que reivindicavam a convocação imediata da Assembléia Constituinte e o término do regime das interventorias federais. Teve à sua frente a oligarquia cafeeira tradicional, dominante na Primeira República e contou com o apoio do povo.
Sob o comando dos generais Klinger, gaúcho e Euclides Figueire­do, carioca, as forças paulistas enfrentaram o governo federal, numa guerra civil que durou até os fins de 1932. Embora derrotado, o movimento fez apressar a constitucionalização do Brasil.

Ribeirão Preto também se erguera à clarinada cívica que ecoava por todo o Estado de São Paulo. Na Praça XV de Novembro, diante da esplanada do Theatro Pedro II erguia-se a Tribuna onde oradores ardorosos apregoavam ao povo a necessidade da luta para a reden­ção de São Paulo.
Ribeirão Preto foi ocupada pelas tropas mineiras que desembar­caram na estação da Mogiana, sob o comando do general Manoel Rabelo. Foram momentos de confusão e alarmistas tomavam conta do espírito do povo… A Revolução perdurou cerca de três meses, as­sinando-se o armistício no dia 29 de setembro de 1932, estava selado o acordo. Pela primeira vez na História do Brasil o povo se polarizou unido, heroicamente em prol da Constituição que simbolizava a or­dem jurídica, a democracia, o respeito à dignidade da pessoa humana.

Publiquei em 2002 a biografia do Professor Guilherme Simões Gomes, que, com dezenove anos de idade à época, era um dos jovens ribeirãopretanos que seguiria no último trem que levava da estação da Mogiana os pracinhas para Campinas e depois para a Capital. Faziam parte da última tropa arregimentada no interior…

Guilherme acenou para o pai, Joaquim Simões Gomes, que o acompanhou até a estação, suas palavras, num rasgo de memória que demonstrava ser ele um idealista nato, ficam registradas junto aos escritos de Rubem Cione:

“Ficou comigo o aceno de meu pai, quando o trem partia, levan­do uns moços despreparados para qualquer revolução, num silêncio de morte, só o apito de trem… E o aceno de meu pai.”

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