NASA/JPL CALTECH

Considerada a sonda mais avançada já lançada pelo homem ao infinito, a Perse­verance completou sua pri­meira semana em Marte na quinta-feira, 25 dde fevereiro, com uma vasta coleção de no­vos registros da superfície pou­co conhecida do planeta.

Lançada no dia 30 de julho de 2020 a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, no estado da Flórida (Estados Unidos), a Perseverance alçou voo acoplada ao foguete inter­planetário Atlas V – o mesmo que havia transportado outros veículos exploradores, como a InSight e a Curiosity.

A chegada ao Planeta Ver­melho – apelidado assim por ter a superfície coberta por óxido de ferro vermelho, com­posto conhecido popularmen­te como ferrugem –foi trans­mitida ao vivo diretamente do centro de controle da missão na agência aeroespacial norte­-americana (Nasa) no dia 18 de fevereiro.

Também foi acompanhada em tempo real pelo Ministé­rio da Ciência e Tecnologia, com comentários do ministro Marcos Pontes. A velocidade de cruzeiro até o destino, mais especificamente a cratera de Jezero, foi de 39,6 mil quilôme­tros por hora (km/h).

Chegada, descida e pouso
A dificuldade de explo­ração de Marte não é apenas a distância, que varia entre 55 milhões e 400 milhões de quilômetros (dependendo do lugar em que a Terra e Marte estão em suas rotas orbitais em relação ao sol), mas também as diferenças atmosféricas e de gravidade – além, claro, da dis­tância necessária para enviar e receber informações.

São 22 minutos de demora para completar um ciclo com­pleto de comunicação. Essa de­mora em receber e confirmar comandos fez com que a Per­severance operasse quase todo o procedimento de descida e de pouso por uma sequência controlada por inteligência artificial. A manobra contou com um planador equipado com propulsores e com um sistema de descida gradual, além de um paraquedas para o trecho final.

A primeira imagem em alta resolução da superfície de Marte chegou no mesmo dia. Após o reconhecimento inicial e a checagem de funcionamen­to de todos os sistemas, o robô explorador iniciou os traba­lhos. Um registro em 360 graus da superfície da cratera de Je­zero foi capturado e mostra o horizonte marciano.

Os sons de Marte
Você já se perguntou como seria ouvir os sons da atmos­fera gelada de Marte? Como seriam os ventos de dióxido de carbono (95% do volume atmosférico) com nitrogênio e argônio? A Perseverance res­pondeu a estes questionamen­tos dos entusiastas da explora­ção espacial. No site da Nasa é possível ouvir estes sons.

Enigma do outro mundo
A tecnologia necessária para colocar uma sonda do tamanho de um carro popular em Marte é extremamente avançada e me­ticulosa. Prova disso são as pe­quenas surpresas espalhadas em diversas partes da Perseveran­ce, que só são percebidas pelos olhos mais atentos.

Durante a descida para a superfície marciana, a Perse­verance contou com um pa­raquedas com círculos con­cêntricos de padrões brancos e vermelhos – algo que, para os incautos, não significava nada. Apenas algumas horas depois, internautas haviam desvenda­do o mistério da mensagem se­creta: “dare mighty things”, ou “ouse coisas poderosas” (em tradução livre).

O engenheiro chefe da mis­são Perseverance usou as redes sociais para confirmar a solu­ção do enigma e congratulou os detetives da internet. “Oh, internet. Será que não há nada que você não consiga fazer?”, afirmou o cientista.

A frase tem um forte signifi­cado para a equipe. Ela está gra­fada nas paredes do Laboratório de Propulsão a Jato – departa­mento responsável pelo para­quedas e por parte significativa do sistema de descida e pouso do robô explorador.

Mapa interativo
A Perseverance é um la­boratório ambulante. A rota do robô explorador dentro da cratera de Jezero em busca de sinais de vida há bilhões de anos aguça a curiosidade cien­tífica de quem torce para achar pistas sobre a origem da vida no universo. Para quem não quer perder a sonda bilionária de vista, a Nasa preparou um mapa interativo que mostra a exata localização do robô atu­alizada regularmente.