JOSÉ CRUZ/AG.BR.

O novo comandante da Ma­rinha, o ribeirão-pretano Ilques Barbosa Junior, disse na manhã desta quarta-feira, 9 de janei­ro, depois de assumir o cargo, que a discussão sobre a idade mínima de aposentadoria para militares precisa ser analisada com cuidado. Para o almirante de esquadra, profissionais que atuam na defesa do país têm exigências próprias. “Este tema para nós que precisamos de higidez física para o combate, para atuação, para garantia da lei e da ordem em todas as ati­vidades que temos, é um tema importante”, disse.

Barbosa Junior afirmou que a Marinha seguirá a orientação do ministro da Defesa, Fernan­do Azevedo e Silva, que está tratando da situação militar na reforma da Previdência Social. Segundo ele, é preciso aguardar a proposta do governo avalian­do o que é “razoável, adequado e exequível”. “Nós descontamos [a contribuição] na ativa, na re­serva, e reformados. Tivemos al­gumas reduções, e este trabalho vem sendo feito pelas três Forças [Exército, Marinha e Aeronáuti­ca]”, afirmou.

Azevedo e Silva, ressaltou que a reforma da Previdência deve avaliar regras diferenciadas para militares. Ele agradeceu ao almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que transmitiu o co­mando da Armada AA Barbosa Junior. Segundo o ministro, o ex-comandante foi incansável na defesa de que os militares te­nham um regime diferenciado.

“Diante das discussões so­bre a reforma do sistema de proteção social dos militares, foi incansável no esforço de comunicar as peculiaridades da nossa profissão, que as di­ferenciam das demais, funda­mentando a necessidade de um regime diferenciado, visan­do assegurar adequado amparo social aos militares das Forças Armadas e seus dependentes”, disse o ministro da Defesa.

A solenidade de passagem do cargo, no Clube Naval de Brasília, contou com a presen­ça do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que chegou ao local a bordo da lancha Amazônia. Se­guindo o protocolo, o presidente não discursou. “Em tempos de guerra e paz, é imperiosa uma rigorosa prontidão dos sistemas de defesa que envolvem tanto as Forças Armadas como os de­mais segmentos da sociedade brasileira de modo a ser alcança­do o contínuo fortalecimento de todas as vertentes da soberania nacional”, disse Barbosa Junior ao discursar.

O almirante lembrou que a Marinha é força fundamental na defesa das riquezas do país e lembrou a diversidade da Ama­zônia Azul, os espaços oceânicos de onde são retirados 85% do petróleo e 75% do gás natural e por onde é transmitida pratica­mente toda a comunicação do país por cabos submarinos.

“Devemos estar sempre prontos a atuar em defesa dos interesses da nossa pátria nos es­paços pantaneiros, amazônicos”, disse o almirante, informando que entre suas prioridades estão programas estratégicos como o desenvolvimento de submari­nos e a construção do núcleo de navios-patrulha.

Perguntado sobre a insta­lação de uma base militar nor­te-americana no país, o almi­rante afirmou que o assunto é político. “O presidente já falou que não está na pauta. Meu âmbito é preparo e emprego da Força”, disse. Ilques Barbosa Junior disse que a parceria com os Estados Unidos, do ponto de vista da Marinha, já existe, assim como com outros países ocidentais. Ele aproveitou para ressaltar que o Brasil é um país ocidental e deve buscar o forta­lecimento de alianças na região.

Alcântara
Sobre a base de Alcântara, no Maranhão, o comandante da Marinha disse que se trata de um assunto que interessa à ciência e aos brasileiros. “Nós precisamos de satélites para fazer com mais agilidade a transmissão de infor­mações. Estamos lutando para recuperar um tempo perdido muito grande. Estamos lutando junto com a Força Aérea para benefício de todos”, concluiu.

Trajetória
O almirante de esquadra Ilques Barbosa Junior, de 64 anos, nasceu em Ribeirão Preto em 1954 e tem quase cinco décadas de serviço mi­litar. Torcedor do Comercial, ele morou na cidade até os 13 anos. Ingressou na Esco­la Naval em 1973, chegou ao posto de contra-almirante em março de 2007 e alcançou o de almirante de esquadra em novembro de 2014. O último cargo ocupado pelo almirante foi o de chefe do Estado-Maior da Armada, órgão de Direção-Geral da Marinha para assessoramen­to do comando da Força.

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