J.F.PIMENTA

Cada um dos 694.534 mo­radores de Ribeirão Preto pro­duz, em média, todos os dias, oitocentos gramas de lixo. O levantamento realizado junto à Coordenadoria de Limpeza Ur­bana do município, responsável pelo gerenciamento deste servi­ço, revela que diariamente são recolhidos na cidade 543.240 quilos de resíduos, o que totali­za, por mês, 16.297.200 quilos. Desse total, apenas 0,26% é re­colhido através da coleta seleti­va, ou seja, 1.412 quilos por dia e 42.372 por mês.


A desproporção entre o reco­lhimento convencional e a coleta seletiva não é um assunto novo na cidade. Ao longo das últimas décadas ele tem sido discutido, mas poucas medidas práticas parecem ter sido tomadas. Só para se ter uma ideia, atualmen­te, a cidade oferece apenas vinte pontos de coleta pontuais deste tipo de resíduo, somente 27 bair­ros são beneficiados pelo servi­ço. Um dos argumentos que, regra geral, os municípios listam como dificultadores para a am­pliação da reciclagem é o custo operacional.


Em Ribeirão Preto, por exemplo, o valor pago por tone­lada para a Estre, empresa que realiza a coleta, é de R$ 171,22 para o lixo domiciliar e de R$ 798,00 para os recicláveis. Esta diferença, se­gundo os técnicos, tem relação com o fato de o lixo orgânico poder ser prensado durante a coleta e o reciclável não, o que exige mais caminhões para transportar a mesma quantida­de e procedimentos específicos. Atualmente, segundo a Coor­denadoria de Limpeza Urbana, a Prefeitura está em fase de ho­mologação da licitação que vai ampliar a coleta seletiva para 129 bairros.


Para o presidente da Co­missão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara, o vereador Marcos Papa (Rede), o município está muito atrasado na implementa­ção de um plano de saneamento que amplie este serviço e crie centros de coleta de materiais recicláveis. “É imprescindível a agilização deste processo. Seja pela questão ambiental de pre­servação do meio ambiente e do reaproveitando dos insumos produzidos pela sociedade, ou pela economia que ela resulta­ria para o município”, afirma. Ele sugere que estes centros de coleta sejam administrados pela iniciativa privada.

Lixo orgânico

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais mostram que, anu­almente, o Brasil produz cerca de 45 milhões de toneladas de resíduo orgânico. Esse resíduo tem potencial econômico para virar adubo, gás combustível e até mesmo energia. No en­tanto, apenas 1% do que é des­cartado é reaproveitado. Em Ribeirão Preto o lixo orgâni­co é levado para uma área de transbordo na rodovia Mário Donegá e depois para o aterro Sanitário em Guatapará.

Cooperativa recicla 80 toneladas por mês

Criada em 2009, a Cooperativa de Agentes Ambientais Mãos Dadas, localizada no bair­ro Branca Sales, região Oeste de Ribeirão Preto, recicla 80 toneladas de material por mês. Única do gênero na cidade, além de receber os resíduos da coleta seletiva feita pela Prefei­tura, ela também faz o recolhimento em condomínios, empresas e pontos de coleta criados em parceria com alguns bairros. Para isso, utiliza dois caminhões adquiridos através de doação. Diariamente eles fazem a coleta seguindo uma rota previamente estabelecida.

No comando da entidade, a ex-catadora de resíduos Iracy Pereira se orgulha do processo de inclusão que a cooperativa tem proporcionado para 41 pessoas, a maioria mulheres, que por problemas como idade e escolaridade, não tinham oportunidade no mercado de trabalho. É graças ao material reciclável que conseguem uma renda mensal média de um salário mínimo, já descontada a contribuição para a Previdência Social – como autônomos – e o dinheiro guardado em um Fundo de Reserva que lhes garante o recebimento do décimo terceiro e das férias. O salário dos cooperados é calculado a par­tir do total de resíduos reciclados e comercializados, o que significa que pode ser maior ou menor dependendo da produção da Cooperativa.

Segundo a presidente a meta é ampliar a reciclagem. Contudo, é preciso terminar a construção de uma nova sede, em um terreno – localizado no mesmo bairro – recebido do município, por meio de processo de comodato. A construção de dois galpões já foi iniciada, mas por falta de recursos está paralisada. “Além da construção deles precisamos de mais equipamentos, como esteiras para poder receber mais material para reciclar”, explica.

As irmãs e cooperadas Claudinéia e Jaqueline torcem para que essa ampliação acon­teça. Responsáveis pelo sustento de suas famílias, elas afirmam que o que ganham é a única fonte de renda que têm para se sustentar seus filhos. As duas não são casadas. Já Iracilda Nakashima, de 61anos, utiliza o dinheiro que ganha para complementar a pensão que recebe em função do falecimento de seu marido. Mãe de três filhos adultos – um deles mora com ela -, Iracilda é a cooperada mais antiga. Esta lá desde o começo. “Saí um tempo para ficar com minha filha durante sua gravidez, mas não consegui ficar longe. Além do dinheiro que preciso amo isso aqui”, finaliza.

Os cooperados trabalham de segunda a sexta-feira, das 8 às 16 horas com intervalo de uma hora para o almoço. A comida – marmitex – é distribuída pela Pre­feitura que também paga a conta de água, energia elétrica do local e disponibiliza um van para o transporte deles.

Criada em 2009, a Cooperativa de Agentes Ambientais Mãos Dadas, localizada no bair­ro Branca Sales, região Oeste de Ribeirão Preto, recicla 80 toneladas de material por mês. Única do gênero na cidade, além de receber os resíduos da coleta seletiva feita pela Prefei­tura, ela também faz o recolhimento em condomínios, empresas e pontos de coleta criados em parceria com alguns bairros. Para isso, utiliza dois caminhões adquiridos através de doação. Diariamente eles fazem a coleta seguindo uma rota previamente estabelecida.


No comando da entidade, a ex-catadora de resíduos Iracy Pereira se orgulha do processo de inclusão que a cooperativa tem proporcionado para 41 pessoas, a maioria mulheres, que por problemas como idade e escolaridade, não tinham oportunidade no mercado de trabalho. É graças ao material reciclável que conseguem uma renda mensal média de um salário mínimo, já descontada a contribuição para a Previdência Social –

como autônomos – e o dinheiro guardado em um Fundo de Reserva que lhes garante o recebimento do décimo terceiro e das férias. O salário dos cooperados é calculado a par­tir do total de resíduos reciclados e comercializados, o que significa que pode ser maior ou menor dependendo da produção da Cooperativa.


Segundo a presidente a meta é ampliar a reciclagem. Contudo, é preciso terminar a construção de uma nova sede, em um terreno – localizado no mesmo bairro – recebido do município, por meio de processo de comodato. A construção de dois galpões já foi iniciada, mas por falta de recursos está paralisada. “Além da construção deles precisamos de mais equipamentos, como esteiras para poder receber mais material para reciclar”, explica.


As irmãs e cooperadas Claudinéia e Jaqueline torcem para que essa ampliação acon­teça. Responsáveis pelo sustento de suas famílias, elas afirmam que o que ganham é a única fonte de renda que têm para se sustentar seus filhos. As duas não são casadas. Já Iracilda Nakashima, de 61anos, utiliza o dinheiro que ganha para complementar a pensão que recebe em função do falecimento de seu marido. Mãe de três filhos adultos – um deles mora com ela -, Iracilda é a cooperada mais antiga. Esta lá desde o começo. “Saí um tempo para ficar com minha filha durante sua gravidez, mas não consegui ficar longe. Além do dinheiro que preciso amo isso aqui”, finaliza.


Os cooperados trabalham de segunda a sexta-feira, das 8 às 16 horas com intervalo de uma hora para o almoço. A comida – marmitex – é distribuída pela Pre­feitura que também paga a conta de água, energia elétrica do local e disponibiliza um van para o transporte deles.

Média de lixo recolhido na cidade

LIXO DOMICILIAR
Total por mês – 16.297,2 toneladas ou 16.297.200 quilos
Total por dia – 543,24 toneladas ou 543.240 quilos
LIXO RECICLÁVEL
Total por mês – 42,3 toneladas 42.372 quilos
Total por dia – 1,4 toneladas ou 1.412 quilos
Valor pago pelo recolhimento/ por tonelada
Lixo domiciliar – R$ 171,22
Coleta seletiva – R$ 798,00

BAIRROS QUE RECEBEM A COLETA SELETIVA
Castelo Branco Novo
Castelo Branco Velho
Centro
City Ribeirão
Jardim Antártica
Jardim Canadá
Jardim Iguatemi
Jardim Irajá
Jardim Itamarati
Jardim. Macedo
Jardim Manoel Penna
Jardim PalmaTravassos
Jardim Paulista
Jardim Paulistano
Jardim Primavera
Jardim Recreio
Jardim Riberto Benedetti
Jardim. São José
Lagoinha
Monte Alegre
Nova Ribeirânia
Parque Bandeirantes
Ribeirânia
Santa Cruz
Vila Santana
Vila Tibério
Vila Virgínia
Fonte: Prefeitura Ribeirão Preto

Quanto tempo os materiais levam para se decompor
Papel…………………………………………………………. de 3 meses a vários anos
Madeira………………………………………………………………..em média, 6 meses
Cigarro………………………………………………………………..1 a 2 anos
Chiclete…………………………………………………………………………5 anos
Embalagem longa vida…………………………………………. mais de 100 anos
Plásticos………………………………………………….. mais de 100 anos
Pneus………………………………………………………. mais de 100 anos
Latas de alumínio…………………………………mais de 1.000 anos
Vidro………………………………………………………mais de 10.000 anos

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