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Nossa cidade completa 165 anos. Aniversário é tempo de celebrar, recordar, fazer balanços e projetar futuro. Com as celebrações conti­das pela situação pandêmica, nos resta recordar dos históricos irmãos Luiz e Rodrigo Pereira Barreto; dos jornalistas Heraldo Pereira e José Luiz Datena; dos futebolistas Raí e Diego Ribas; dos automobilistas Pau­lo Gomes e Hélio Castro Neves; da ginasta Laís Souza; dos atores Paulo Goulart, Débora Duboc, Camila Queiroz e Mônica Iozzi e dos inúmeros cientistas, juristas e profissionais das mais diversas áreas que nasceram ou aqui escolheram para viver e projetaram nosso município como um dos mais importantes do país.

Ao fazer balanço e projetar o futuro perceberemos que avança­mos, mas estamos distantes da cidade ideal. Falando nisso, outro aniversariante do dia 19 de junho, Chico Buarque de Holanda, em sua obra infantil “Os Saltimbancos”, projetou a cidade ideal na visão de quatro animais amigos: a galinha, o jumento, o cachorro e o gato. São ideias esquisitas e atrapalhadas, mas o Jumento fez um importante alerta:“A cidade é uma estranha senhora/ Que hoje sorri e amanhã te devora”.

Para tornar nossa cidade ideal, uma referência importante a ser seguida é o plano global criado pela ONU em 2015, no lan­çamento da Agenda 2030 com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O Brasil aderiu aos objetivos de tornar as cidades e comunidades sustentáveis a partir do cumprimento de metas de inclusão, segurança, resiliência e sustentabilidade. Uma é a garan­tia de acesso à moradia adequada, que vai desde financiamentos acessíveis até urbanização de favelas.

Outra meta é sistema de transporte e mobilidade urbana barato e de qualidade. Há também o aumento da urbanização de maneira inclusiva e sustentável, valorizando a gestão participativa. Outras metas interessantes são: a proteção do patrimônio cultural; o acesso universal a espaços públicos seguros e inclusivos e o apoio às relações econômicas, sociais e ambientais nas áreas urbanas. Dá para perceber que, ainda, estamos muito atrasados.

Embora sempre bem rankeada nas pesquisas de melhores cidades do país para se viver, Ribeirão Preto mantém elevados indicadores de desigualdade entre ricos e pobres, sendo o rendimento médio de quem reside na zona Sul até 23 vezes superior a quem mora na zona Norte. Pa­rece que o jumento estava certo, assim, mais do que um sonho, a redução das desigualdades com atenção especial às quase dez mil famílias que sobrevivem em “assentamentos precários” e as 1200 pessoas em uma situação vulnerável nas ruas é uma urgente necessidade.

Após essa pequena reflexão, vamos ao nosso presente com singela homenagem em forma de poesia: Ribeirão 165/ Tem quem curta Chopp gelado/ Ou a cerveja artesanal/Jogar bola na quadra ao lado/ Colher frutas no quintal/ Em seus parques caminhar/ Pedalar na ci­clovia/ No ônibus lotado se equilibrar/Encarando o novo dia/ Ouvir futebol no radinho/ Torcer pelo Leão ou pelo Pantera/ Ir ao clube to­mar um solzinho/ Curtir balada com a galera/ Referência universitá­ria/ Já foi capital da cultura/ Vive a expansão imobiliária/Mas recebe com doçura/ Quem busca prosperidade/ Sabe que aqui pode encon­trar/Mas para falar a verdade/ Terá muito que lutar/ Pois nem tudo é só festa/ Temos vários problemas também/ E ao povo o que resta/ É enfrentar seguindo além/ Carecemos de moradia/ Falta emprego e oportunidades/ Mas mantemos a alegria/Superando as dificuldades/ Tem muita obra parada/ O trânsito é uma confusão/ Gente jogada na calçada/ Pedindo um pedaço de pão/ Como hoje é dia de festa/ Não vou ficar reclamando/ Assim o que me resta/ É continuar te amando/ Nascida dos cafezais/ De terra roxa e água boa/ Com talentos sem iguais/ Sua fama pelo mundo ecoa/ Capital do interior/ E da região metropolitana/ Tem gente de muito valor/ Que uma forte energia emana/ Ribeirão Preto é tão pujante/ Uma referência nacional/ Mas o que torna esta cidade grande/ É sua gente sensacional.