GOVERNO DE SÃO PAULO

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta quarta-feira, 9 de junho, o início da pesqui­sa clínica da vacina Butanvac, contra a covid-19. Antes de re­alizar a aplicação experimental do fármaco, o Instituto Butan­tan deve apresentar algumas informações complementares sobre os testes em andamento. Após a entrega dos dados, a entidade fica autorizada a ad­ministrar doses da vacina em voluntários das fases 1 e 2 da pesquisa clínica.

Segundo a Anvisa, 400 pessoas com mais de 18 anos devem participar da primeira etapa do estudo. Já nas demais, há expectativa que seis mil vo­luntários recebam a vacina. A administração da Butanvac, que acontece em duas doses com intervalo de 28 dias, acon­tecerá no Hospital das Clínicas (FMUSP) e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Me­dicina de Ribeirão Preto, tam­bém ligada à Universidade de São Paulo (HC-FMRP/USP).

“Para a autorização do es­tudo clínico, a Anvisa e Bu­tantan realizaram ao longo dos últimos dois meses uma intensa troca de informações e de reuniões com objetivo de que todos aspectos do es­tudo estivessem claros e com garantias de segurança aos voluntários”, afirma o comu­nicado oficial da agência.

O governador de São Pau­lo, João Doria (PSDB), que vinha cobrando publicamente celeridade na análise do pe­dido, agradeceu à Anvisa em publicação no Twitter e desta­cou que 7 milhões de doses da Butanvac já foram produzidas.

“A Anvisa acaba de auto­rizar os testes clínicos com a ButanVac, a vacina do Bu­tantan contra a covid-19, que não depende de insumos de outros países para sua pro­dução. O Instituto Butantan já tem sete milhões de doses prontas da ButanVac. Grande notícia. Obrigado Anvisa!”, escreveu o governador.

A Butanvac deverá ser uma “vacina superior” por incorpo­rar o aprendizado com a pri­meira geração de imunizantes contra o novo coronavírus, segundo informou em abril o diretor do Instituto Butatan de São Paulo, Dimas Covas.

“Temos uma perspecti­va que essa seja uma vacina superior do ponto de vista de indução de imugenicida­de [capacidade de induzir o corpo a responder ao ví­rus]. “Nós incorporamos os conhecimentos da primeira geração de vacinas”, disse.

Mais barata
Além dos aprimoramen­tos incorporados a partir dos resultados com outros imuni­zantes, especialmente a Coro­navac, produzida pelo instituto em parceria com o laboratório chinês Sinovac, Covas ressalta que o imunizante deverá ser mais barato do que os disponí­veis atualmente. “Além de ser uma vacina já aperfeiçoada, vai permitir o barateamento e extensão da vacina para os países pobres e de renda mé­dia”, acrescenta.

Os estudos da fase 3, com maior escala de participantes, deverá incluir nove mil pessoas. Poderão fazer parte dos testes inclusive adultos já vacinados ou que já tiveram covid-19, se­gundo disse Covas em abril. A tecnologia da Butanvac utiliza o vírus da doença de Newcastle, uma enfermidade de aves, gene­ticamente modificado.

O vetor viral contém a pro­teína Spike do coronavírus de forma íntegra. O desenvolvi­mento complementar da vaci­na será todo feito com tecno­logia do Butantan, incluindo a multiplicação do vírus, condi­ções de cultivo, ingredientes, adaptação dos ovos, conserva­ção, purificação, inativação do vírus, escalonamento de doses e outras etapas.