Ribeirão Preto ainda tem o gás de cozinha mais caro do es­tado de São Paulo. Até aí, nada de novo. Só que a Agência Na­cional de Petróleo, Gás Natu­ral e Biocombustíveis (ANP) ampliou o número de cidades pesquisadas, de 59 para 107, e produto ribeirão-pretano segue disparado no topo do ranking. A diferença para a segunda co­locada e a margem de lucro dos comerciantes segue em patama­res elevados.

Segundo o último levanta­mento da ANP, realizado entre os dias 7 e 13 de janeiro, o botijão de 13 quilos vendido na cidade custa, em média, R$ 83,67 (estava em R$ 84,24 na pesquisa anterior), com mínimo de R$ 75 e máxi­mo de R$ 88. Para os revende­dores custa R$ 52 (piso e teto tem o mesmo valor), variação de 60,9% ou R$ 31,67 a mais, uma margem de lucro consierável.

O valor médio ao consumi­dor está R$ 8,07 acima do prati­cado pela segunda colocada no ranking, São Carlos, que vende o produto a R$ 75,60 (mínimo de R$ 68 e máximo de R$ 85). A variação chega a 10,7%. Em com­paração com o GLP-13 de Mogi Mirim, que tem preço médio de R$ 52,13, a diferença chega a R$ 31,54, variação de 60,5%.

Desde que a Petrobras im­plantou sua nova política de pre­ços, em junho do ano passado, o preço do GLP-13 subiu 68% para os revendedores. De janeiro de 2003 a agosto de 2015, o preço do gás de cozinha nas refinarias da estatal ficou congelado. Nem por isso deixou de subir para o consumidor: 56,8% naquele pe­ríodo. Está demonstrado que o valor sobe mesmo quando não há aumento nas refinarias.

Basta observar a margem de lucro dos comerciantes ribeirão­-pretanos para perceber que a culpa não é apenas do governo, tem muita gente lucrando alto com o dinheiro da população. No ranking do gás mais caro da ANP, depois de Ribeirão Preto e São Carlos aparecem Marília (R$ 75, mesmo valor mínimo e máximo) e São Caetano do Sul (R$ 75, piso de R$ 69,99 e teto de R$ 80).

O último reajuste no preço do GLP para uso residencial, en­vasado pelas distribuidoras em botijões de até 13 quilos (GLP P-13), foi de 8,9%, em média. Em junho, a Petrobras criou uma regra de correção automática do valor do produto, aplicada no dia 5 de cada mês. Desconfor­tável com o impacto desta mag­nitude no preço de um produto que ninguém pode abrir mão de consumir, do mais pobre ao mais rico, a estatal decidiu rever sua própria política e anunciou que em janeiro de 2018 não ha­verá aumento.

Além disso, diz que o con­sumidor tem 2% de bônus que serão descontados nos futuros reajustes. Ainda não se definiu a nova fórmula, mas já foram fixados alguns parâmetros. Por exemplo, a correção do preço não deverá mais ser mensal.