ALFREDO RISK

Com a intenção de redu­zir os danos financeiros aos consumidores pagantes, a CPFL Paulista, que atende 4,6 milhões de consumidores em 234 municípios do interior paulista – 290 mil somente em Ribeirão Preto –, realizou nes­ta semana uma ação contra a inadimplência na cidade, cam­peã no ranking de clientes com contas de energia atrasadas há mais de 30 dias na área de atu­ação da concessionária.

Amparada por medidas le­gais, a companhia realizou o cor­te do fornecimento de energia em mais de duas mil unidades consumidoras no município. Somados, os valores em atraso desses clientes chegam a mais de R$ 1 milhão. Quando um cliente deixa de pagar a fatura de ener­gia, além de correr o risco de fi­car sem o fornecimento, outros consumidores acabam sendo lesados pela inadimplência.

Isso acontece porque as quantias em débito resultam em maiores reajustes nas tarifas das distribuidoras pela Agência Na­cional de Energia Elétrica (Ane­el) como forma de compensação das perdas de receita. Neste ano, por exemplo, desde 8 de abril a conta de luz está, em média, 8,66% mais cara para os consu­midores ribeirão-pretanos e das outras 233 cidades da área de atuação da subsidiária do Grupo CPFL Energia.

A Aneel autorizou, dentro do processo de revisão tarifária anual, reajuste nas faturas da concessionária. Para os consu­midores residenciais, a alta foi de 7,87%. Pequenos comércios, que também entram na faixa de baixa tensão, tiveram rea­juste de 8,34%. Para os clientes da alta tensão – indústrias, sho­pping centers e outros estabele­cimentos de grande porte – o aumento foi de 9,30%.

Além disso, os estados também deixam de arrecadar impostos como o Imposto so­bre Circulação de Mercado­rias e Serviços (ICMS), o que reflete nos repasses de verbas aos municípios como Ribeirão Preto, por exemplo. Ou seja, todo mundo perde. Dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojis­tas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Bra­sil) revelam que o crescimento mais acentuado da inadim­plência em maio foi no setor de contas básicas, como água e luz, que aumentou 27,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O levantamento também aponta que, em média, as dívi­das em atraso dos inadimplen­tes superam em mais de três vezes o salário mínimo atual do país, de R$ 998. De acordo com o indicador, o devedor brasilei­ro encerrou o último mês de maio com uma dívida média de R$ 3.239,48, somando todas as pendências em seu nome.

O valor é 41% maior que a renda média mensal do traba­lhador brasileiro – de R$ 2.291, segundo o Instituto Brasilei­ro de Geografia e Estatística (IBGE). Cada consumidor negativado tem, no geral, duas dívidas em aberto. Segundo a Serasa Experian, o número de inadimplentes em Ribeirão Preto aumentou 10,4% em abril deste ano na compara­ção com o mesmo período de 2018, de 241.259 para 266.374, com 25.115 devedores a mais.

Significa que 38,3% da população da cidade, esti­mada em 694.534, segundo o IBGE, tem alguma conta em atraso. A média munici­pal de elevação dos débitos é superior à nacional (3,1%) e á estadual (5,9%). Com base no valor médio das dívidas, de R$ 3.239,48, e consideran­do que cada ribeirão-pretano inadimplente tenha apenas um débito, o montante chega a R$ 862.913.245,52.

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