RP tem maior taxa de anticorpos do Estado

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KOKI KATAOKA-REUTERS

Karina Toledo
Agência Fapesp

O percentual de brasileiros que apresentam anticorpos contra o novo coronavírus caiu de 3,8% em junho para 1,4% em agosto, segundo os dados mais recentes da pesquisa Epi­covid-19 BR, divulgados nesta semana. Na avaliação dos au­tores, o resultado é um forte indício de que a epidemia está em desaceleração na maior parte do país.

A quarta fase da coleta de dados do projeto incluiu 33.250 participantes de 133 cidades e foi conduzida en­tre os dias 27 e 30 de agosto por uma equipe coordena­da por Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). As cidades com maior soroprevalência na última medição foram Ju­azeiro do Norte (8%) e Sobral (7,2%) – ambas no Ceará.

Na sequência estão as para­enses Santarém (6,4%) e Alta­mira (5,2%). No Estado de São Paulo, a primeira colocada é Ribeirão Preto (2,8%), segui­da por Araçatuba (2%), Cam­pinas (0,8%) e capital (0,8%). Nas três etapas anteriores – uma concluída em maio e outras duas no mês de junho, nas mesmas 133 cidades – a soroprevalência nacional havia seguido tendência de elevação: 1,9%, 3,1% e 3,8%, respectivamente.

A exceção foi a região Nor­te, onde em algumas locali­dades fortemente afetadas no início da pandemia os pesqui­sadores registraram queda na proporção de soropositivos entre a segunda e a terceira fases do estudo. Outras duas etapas de coleta devem ser re­alizadas nos próximos meses, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com Hallal, quando a pesquisa começou, acreditava-se que os anticor­pos contra o Sars-CoV-2 per­maneciam um longo tempo no organismo, assim como ocorre no caso do coronavírus causa­dor da síndrome respiratória aguda grave (Sars-CoV-2), que é muito parecido.

No entanto, evidências mais recentes indicam que o teste rápido – feito com uma gota de sangue extraída do dedo – capta com sensibili­dade as infecções recentes, de até 45 dias, podendo também detectar infecções graves um pouco mais antigas. “Inicial­mente tratávamos a Epicovid como uma filmadora, que poderia mostrar a evolução da soroprevalência no país ao longo da epidemia, de forma cumulativa”, diz.

“Agora sabemos que os anticorpos têm duração limita­da e, portanto, o que temos são várias fotografias de momentos diferentes. Embora não seja pos­sível estimar o total de brasileiros que já teve contato com o vírus em algum momento da vida, conseguimos ver com precisão o percentual de pessoas que foram infectadas recentemente e esse número está claramente cain­do”, explica o pesquisador.

Tendências
Hallal destaca que os resul­tados mais recentes revelam uma mudança na faixa etária dos infectados entre junho e agosto. Nos primeiros meses da pandemia, a soroprevalên­cia foi maior entre pessoas de 20 a 50 anos, justamente aque­las em idade produtiva e que tiveram mais dificuldade para aderir ao isolamento social.

Agora, o percentual dimi­nuiu nesse grupo e aumentou entre crianças e idosos. Do ponto de vista socioeconômi­co, a tendência se manteve es­tável em todas as fases da pes­quisa: pessoas cujas famílias se encontram entre as 20% mais pobres da população apresen­tam prevalência mais de duas vezes superior à observada en­tre os 20% mais ricos.

“Esse tipo de resultado é importante para guiar as po­líticas de saúde, pois revela a realidade sanitária de cada re­gião”, diz Hallal. “Lamentamos que tenha havido um hiato de dois meses na coleta de da­dos causado pela quebra no financiamento do Ministério da Saúde. Se tivéssemos dados coletados em julho e no iní­cio de agosto, provavelmente teríamos conseguido detectar tendências que infelizmente se perderam”, emenda.

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