Jornal Tribuna Ribeirão

Safra da cana cai 13,2%, diz Conab

ALFREDO RISK

A terceira estimativa da sa­fra 2021/22 de cana-de-açúcar aponta para uma redução na produção de cana. Os núme­ros, divulgados nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estimam que sejam colhidas 568,4 milhões de toneladas, um volume de matéria-prima 13,2% menor em relação à sa­fra 2020/21.

Os efeitos climáticos adver­sos da estiagem durante o ciclo produtivo e as baixas tempe­raturas registradas em junho e julho deste ano, com episódios de geadas em algumas áreas de produção, sobretudo em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, impactaram na produ­tividade das lavouras.

No Sudeste, principal re­gião produtora do país, a pre­visão é de uma redução de 16,8% na produção, alcançan­do 356,7 milhões de tonela­das, resultado da diminuição de 4,1% na área cultivada, além das adversidades climá­ticas. No Centro-Oeste, houve redução de 0,8% na área a ser colhida, num total de 1,8 mi­lhão de hectares, e a produção estimada é de 132,2 milhões de toneladas, 5,4% menor que a obtida na safra anterior.

Já no Nordeste, a redução está estimada em 13,6% na área a ser colhida, mas com uma estimativa de aumento de 4,6% na produtividade, o que deverá resultar em uma produção de 43,7 milhões de toneladas, 9,7% menor que àquela observada na última safra. Na região Norte, houve redução de 0,9% na área a ser colhida e incremento de 8,9% na produção, totalizando 3,8 milhões de toneladas.

Já para a região Sul, há um pequeno aumento de 0,4% na área cultivada, mas com pro­dução total estimada em 31,9 milhões de toneladas, uma re­dução de 6,6%, em comparação com a safra anterior, devido à diminuição na produtividade.

A queda em São Paulo chega a 18,9% nesta safra, em comparação ao ciclo passa­do. Ao todo, espera-se uma produção de 287,4 milhões de toneladas. A safra paulista está em fase final, concluin­do as operações de colheita e moagem das lavouras. A área plantada ficou em 4,2 milhões de hectares, uma re­dução de 5,4% em relação ao ciclo anterior.

Há indicativo de maior direcionamento para a fabri­cação de açúcar, com cerca de 52,3% do volume total para geração do adoçante e 47,7% para produção de etanol. Este cenário é esperado principal­mente em razão de contratos de exportação previamen­te acordados, além da baixa oferta global do açúcar, que eleva a cotação internacional.

Produtos
A produção total brasilei­ra de etanol, proveniente da cana-de-açúcar e do milho, é estimada em 28,27 bilhões de litros, uma redução de 13,7% em relação à safra passada. A estimativa de produção de etanol a partir da cana-de-açú­car é de 24,8 bilhões de litros, redução de 16,6% em compa­ração à safra 2020/21. A pro­dução de etanol anidro pro­veniente da cana, utilizado na mistura com a gasolina, deverá crescer em 4% em relação à úl­tima temporada, alcançando 9,69 bilhões de litros.

Quanto ao etanol hidrata­do de cana, o total a ser pro­duzido deve chegar em 15,11 bilhões de litros, redução de 26% em relação à safra ante­rior. A produção de açúcar no país, estimada em 33,9 milhões de toneladas, teve uma redução de 17,8% em relação ao produzido na tem­porada anterior.

Mercado
No acumulado dos pri­meiros sete meses da safra 2021/22, de abril a outubro deste ano, o Brasil exportou cerca de 16,9 milhões de to­neladas de açúcar, o que cor­responde a uma redução de 17,9% na comparação com igual período do ciclo ante­rior, influenciada pela que­da da produção brasileira de cana na safra atual.

A restrição da oferta in­terna e a antecipação da en­tressafra em algumas usinas da região Centro-Sul do país colaboram para o aumento do preço do açúcar no mer­cado doméstico e redução das exportações. Em outubro de 2021, o Brasil exportou cerca de 2,3 milhões de tone­ladas de açúcar, o que repre­senta uma redução de 9,0% em relação ao mês anterior e de 41,4% na comparação com outubro do ano passado.

Em referência ao mercado de etanol, o Brasil exportou cerca de 1,13 bilhão de litros no acumulado de abril a outu­bro de 2021, o que correspon­de a uma redução de 38,6% em relação a igual período do ciclo anterior. A queda é influencia­da pela limitação da produção no ciclo atual e pela restrição da oferta doméstica.

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