Por Jack Coyle/ AP

O elenco estrelado de Os 7 de Chicago, drama de tribunal dos anos 1960 dirigido por Aaron Sorkin, levou o prêmio principal no domingo, 4, no Screen Actors Guild Awards virtual, cerimônia na qual atores de negros, pela primeira vez, levaram os principais prêmios nos filmes.

O 27º SAG Awards, organizado pela associação de atores de Hollywood, foi um evento silencioso – e não apenas porque a cerimônia não teve tapete vermelho, mas por ter sido pré-gravado e condensado em uma hora de transmissão. Apontado como um dos grandes concorrentes ao Oscar de melhor filme, Nomadland, de Chloé Zhao, não venceu o prêmio de melhor conjunto, o que pode embaralhar as apostas, uma vez que o SAG sempre foi uma prévia do Oscar.

Ainda assim, a vitória de Os 7 Chicago, da Netflix, marcou a primeira vez que um filme de qualquer serviço de streaming ganhou o prêmio de conjunto da associação. Escrito e dirigido por Sorkin, o filme agora reforça a campanha de sua primeira vitória de melhor filme no Oscar.

Frank Langella, que interpreta o juiz que presidiu a acusação contra ativistas presos durante a Convenção Nacional Democrata de 1968, traçou paralelos entre a agitação daquela época e a de hoje, ao aceitar o prêmio em nome do elenco. “‘Deus nos dê líderes’, disse o reverendo Martin Luther King antes de ser fuzilado a sangue-frio nesta mesma data em 1968 – uma injustiça profunda”, disse o ator, citando eventos que levaram àqueles interpretados em Os 7 de Chicago. “O reverendo King estava certo Precisamos de líderes para nos guiar no sentido de nos odiarmos menos.”

A vitória dos streaming foi reforçada por outros dois outros lançamentos da Netflix – A Voz Suprema do Blues e Destacamento Blood – bem como Uma Noite em Miami, da Amazon, e Minari – Em Busca da Felicidade, do A24. Se o drama familiar coreano-americano de Lee Isaac Chung tivesse vencido, teria sido o segundo ano consecutivo em que um filme em grande parte não falado em inglês a ganhar o prêmio principal do SAG. No ano passado, o elenco de Parasita triunfou, tornando-se o primeiro elenco de um filme em língua não inglesa a fazê-lo.

O SAG Awards é um prenúncio do Oscar. Os atores constituem o maior ramo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, e os vencedores do SAG costumam se alinhar com os do Oscar. No ano passado, Parasita ganhou o prêmio de melhor filme no Oscar, e todos os vencedores do SAG – Renée Zellweger, Brad Pitt, Laura Dern, Joaquin Phoenix – também ganharam o Oscar.

Os prêmios deste ano foram, em sua maioria, para um grupo inteiramente de atores negros, potencialmente preparando o cenário para uma lista historicamente diversa de vencedores do Oscar: Chadwick Boseman e Viola Davis, respectivamente melhor ator e atriz por A Voz Suprema do Blues; Youn Yuh-jung, melhor atriz coadjuvante por Minari – Em Busca da Felicidade; e Daniel Kaluuya, melhor ator coadjuvante por Judas e o Messias Negro.

Destes, a vitória de Davis foi a mais surpreendente em uma categoria que apontava para outras favoritas, como Carey Mulligan (Bela Vingança) e Frances McDormand (Nomadland). É o quinto prêmio SAG individual de Davis. “Obrigado, August, por deixar um legado para os atores negros que podemos saborear pelo resto de nossas vidas”, disse ela, referindo-se ao dramaturgo August Wilson. E Boseman, que morreu em agosto aos 43 anos, já havia estabelecido um recorde para a maioria das indicações ao filme SAG (quatro) em um único ano.

Na TV, os conjuntos de Schitt’s Creek (comédia) e The Crown (drama) se somaram à sua sequência de prêmios.

VENCEDORES

CINEMA

Melhor elenco

Os 7 de Chicago

Melhor atriz

Viola Davis, por A Voz Suprema do Blues

Melhor ator

Chadwick Boseman, por A Voz Suprema do Blues

Melhor atriz coadjuvante

Youn Yuh-jun, por Minari

Melhor ator coadjuvante

Daniel Kaluuya, por Judas e o Messias Negro

TV

Melhor elenco em série de drama

The Crown

Melhor elenco/comédia

Schitt’s Creek

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.