Seja ‘plantonista’ com altos ganhos

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Os governadores do Norte e Nordeste recorreram a um cientista, professor há 30 anos em algumas das principais Univer­sidades do mundo, inclusive nos Estados Unidos, para decidirem quais as providências inadiáveis nesta crise da pandemia.

Professor Miguel Nicolelis, de São Paulo, recomendou a constituição de uma Brigada Emergencial de Saúde, sem afastar a necessidade de se combater a expansão da contami­nação, seja por isolamento ou distanciamento social, se é que tecnicamente há diferenças. Confinamento ninguém fez ou faz, apenas o pessoal do BBB.

O cientista, com segurança, confronta o que foi vivido em outros países, aponta as nossas particularidades e os riscos que justificam medidas enérgicas nos próximos dias. É técni­co. Nunca foi aprendiz de empresário.

Enquanto isso, o presidente – que se diz “esportista”, con­traria a lição mais festejada, de que “time que está ganhando não se mexe”: trocou o ministro da Saúde na hora de começar o 2º tempo. Chamou um substituto que não estava no banco dos reservas (os dos treinamentos, conhece o pensamento do “treinador”, se identifica com as deficiências e sabem como o time deve jogar).

Escolheu um substituto que se apresentou da tribuna do Planalto como “ex-empresário” (será que foi assim que impressionou o presidente?). Tem todo o jeito de um fiel inte­rino, com missão específica: entrar em campo e ganhar o jogo sem nunca ter treinado com o time.

Nesta hora o país precisa de gente experiente, muito mais prática que teórica. Que age rápido, conhecendo o SUS e o setor privado, desbloqueando e criando leitos.

É verdade que é um estudioso, conhecedor da ciência. Logo foi chamado para ouvir o “cartola” – tem característica de político, sonhador, promete “vantagens” se for campeão e sempre assume os resultados (se forem vitórias). É também um “fake” de boas intenções.Também não se contém em fazer outras trocas se achar que os seus planos (nunca explícitos) estejam ameaçados (pesquisas que indicam aceitação popular do seu nomeado.) Assim foi com o substituído.

Mostra-se que o substituto só pode ser um resignado escudeiro, de poucas palavras, voz baixa e olhos no chão (sem horizontes), que assuma os erros, porque “o que der certo sempre será obra do chefe”. Dizem que “chefe não erra! Sem­pre tem razão! Quanto muito comete um eventual equívoco inconsequente! Inocentemente!” Chefe assim é um vaidoso desmedido, incontrolávelelas forças desarmadas!

Neste caso, o substituto precisará de muita simplicidade e de exagerada humildade, para assistir o Chefe (leigo em medicina) contrariar o mundo e descumprir aos seus olhos as práticas científicas recomendadas, mesmo que ponha em risco a vida dos governados.

Este substituto, quando constrangido e humilhado publi­camente, ainda poderá optar por seguir a cartilha de antigos governantes: “esqueçam o que eu já disse e escrevi”. É assim que este Chefe quer o seu nomeado (como ex-cientista)?

Pretensão de “empresário” não foi censurada (a de político não passaria no processo seletivo).
Assim assumiu a honrosa missão de “plantonista” da pan­demia, como todos em Brasília, temporariamente (até 2022), inclusive o chefe (este parece não saber disso).