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Ribeirão Preto
7 de julho de 2022 | 14:18
Jornal Tribuna Ribeirão
MAKSIM LEVIN/REUTERS

Sem munição, Ucrânia teme perder a guerra

À medida que a invasão rus­sa da Ucrânia chega ao quarto mês, autoridades em Kiev ex­pressaram temores de que uma “fadiga da guerra” possa preju­dicar a disposição do Ocidente em ajudar o país militarmente. Com a Rússia mudando sua es­tratégia de combate para a arti­lharia e os países ocidentais vol­tando suas atenções para a crise global de energia e alimentos, a Ucrânia tem esgotado rapida­mente suas munições e perdido cerca de 100 soldados por dia, e teme que esteja caminhando para perder o conflito.

Até então, a Ucrânia havia acumulado surpreendentes ga­nhos militares na guerra, for­çando a Rússia a recuar sua ofensiva no leste do país. Analis­tas atribuem o sucesso à respos­ta rápida do ocidente em enviar ajuda militar para Kiev, além de impor duras sanções à Rússia que custou o investimento em aparatos de guerra. Mas agora Moscou parece estar mudando a estratégia para uma guerra de artilharia, que vai exigir equipa­mentos mais sofisticados para a Ucrânia responder, tornando-a totalmente dependente dos en­vios ocidentais.

Em entrevista ao jornal bri­tânico The Guardian, o vice­-chefe de inteligência militar da Ucrânia, Vadim Skibitski, disse que a Ucrânia está perdendo para a Rússia na linha de frente e depende quase exclusivamen­te de armas do Ocidente para manter sua defesa. “Esta é uma guerra de artilharia agora”, dis­se Skibitski. “Tudo agora depen­de do que [o Ocidente] nos dá”.

Segundo ele, a Ucrânia tem uma peça de artilharia para cada dez a 15 peças de artilha­ria da Rússia. “Nossos parceiros ocidentais nos deram cerca de 10% do que eles têm”, afirmou. E acrescentou que a Ucrânia está usando de 5.000 a 6.000 ti­ros de artilharia por dia, o que coloca em cheque o recurso em um futuro próximo. “Nós quase esgotamos todas as nossas mu­nições e agora estamos usando projéteis padrão da Otan cali­bre 155”, disse.

“A Europa também está entregando projéteis de menor calibre, mas à medida que a Europa se cansa, a quantidade está ficando menor”, lamentou. Além disso, a perda de soldados tem sido um alerta para a Ucrâ­nia. Embora o país mantenha em segredo o seu número de perdas militares, o presidente Volodymyr Zelensky disse na semana passada que entre 60 e 100 soldados têm morrido por dia no conflito e outros 500 se ferem. À BBC o conselheiro de Zelensky, Mikhailo Podoliak, disse que as perdas podem ser até maiores, de 100 a 200 mili­tares por dia.

O ministro da Defesa ucra­niano, Oleksi Reznikov, reno­vou seus apelos por mais ajuda militar na última quinta-feira, 9 de junho, para conseguir man­ter as defesas em Severodo­netsk, que Zelensky disse ser fundamental para a luta pela região leste de Donbas. Rezni­kov disse que, embora estivesse grato pelo apoio ocidental, não estava “satisfeito com o ritmo e a quantidade de suprimentos de armas. Absolutamente não.”

Segundo analistas, o Kremlin pretende explorar justamente a possibilidade de que, com o conflito se arrastando e entrin­cheirando, haverá um possível declínio do interesse entre as potências ocidentais que po­dem pressionar a Ucrânia a um acordo.

Zelensky já se irritou com as sugestões ocidentais de que ele deveria aceitar algum tipo de compromisso. A Ucrânia, disse ele, decidirá seus próprios ter­mos para a paz. “A fadiga está crescendo, as pessoas querem algum tipo de resultado [que seja benéfico] para si mesmas e nós queremos [outro] resultado para nós mesmos”, disse ele.

Uma proposta de paz italia­na foi rejeitada, e o presidente francês Emmanuel Macron foi recebido com uma reação irada depois que ele foi citado dizen­do que, embora a invasão de Putin tenha sido um “erro his­tórico”, as potências mundiais não deveriam “humilhar a Rús­sia quando a luta parar, pode­mos construir uma saída juntos por caminhos diplomáticos.”

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitro Kuleba, disse que tal conversa “só pode humilhar a França e todos os outros países que pe­direm por isso”. Mesmo uma observação do ex-secretário de Estado dos Estados Unidos Henry Kissinger de que a Ucrâ­nia deveria considerar conces­sões territoriais provocou uma réplica de Zelensky de que era equivalente às potências euro­peias em 1938 deixar a Alema­nha nazista reivindicar partes da Tchecoslováquia para conter a agressão de Adolf Hitler.

Kiev quer expulsar a Rús­sia das áreas recém-captura­das no leste e sul da Ucrânia, bem como retomar a Crimeia, que Moscou anexou em 2014, e partes de Donbas sob con­trole de separatistas apoiados pelo Kremlin nos últimos oito anos. Cada mês de guerra custa à Ucrânia US$ 5 bilhões (R$ 24 bilhões), disse Volod­mir Fesenko, analista político do think tank Penta Center, e isso “torna Kiev dependente da posição consolidada dos países ocidentais”.

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