Ninguém tem dúvida de que o atual presidente da Repú­blica, Jair Bolsonaro tem o apoio de 20% a 25% da população brasileira. Um grupo também sabidamente fiel, que tem cren­ça no seu líder, quase como um verdadeiro dogma religioso e independente de qualquer argumento lógico ou social. É um número significativo, mas, óbvio, que insuficiente para lhe garantir uma nova vitória no sistema majoritário, em que é preciso de maioria dos votantes.

Ocorre também que a aposta de Bolsonaro no elogio à loucura lhe custou muito caro. O chefe do poder executivo, sem medir consequências, acreditou em remédios ineficazes, negou a ciência, relativizou a eficácia das vacinas e, no campo econômico, pregou ser um “liberal”, mas na prática, retroce­deu o Estado brasileiro ao patriarquismo e coronelismo vistos durante muito tempo na nossa história política. Apostou muito caro e perdeu tudo.

Suas (in)ações e condutas provocaram o descrédito de fa­tias importantes do eleitorado, notadamente de uma parte da população que acreditou em seu discurso contra a corrupção e contra o “antigo” toma-lá-dá-cá com os partidos de centro – Centrão, como condição sinequa non para a governabilidade.

Paralelamente, o envolvimento familiar do presidente com questões imorais e ilícitas em denúncias de corrupção, que vão desde “rachadinhas” até o uso de instituições de Estado para proteção, em conjunto com a entrega do orçamento e de cargos essenciais às velhas raposas da política, levaram a um severo desgaste nacional e internacional. As imagens da desfaçatez de Fabrício Queiroz e o discurso presidencial do último dia 07 de setembro foram a ‘pá de cal’ no fio de esperança que restava nos eleitores mais distantes da política partidária.

Agora sem saída, só resta a Bolsonaro a manutenção de um discurso esquizofrênico que, mesmo tendo sido eleito pelo voto, questiona o sistema eleitoral que levou todo o seu grupo ao poder nas últimas décadas.

Ao fim e ao cabo, o que se observa é que está preso na necessidade de “ter” um inimigo, mesmo que imaginário, para manter inflada a narrativa e crença em seus fiéis. Assim foi com a cloroquina, com a vacina chinesa, com o Moro, com o voto impresso e agora chegou a vez dos ministros do STF, responsáveis pela condução da eleição de 2022. O ataque às instituições, até mesmo cometendo crime de responsabili­dade, não é casual ou impensado, mas sim a única saída para chegar vivo politicamente ao fim do seu governo.

A chance eleitoral do Bolsonaro se enfraquece a cada dia (e ele sabe disso porque tem uma máquina de comunicação nas mãos e certamente também faz suas pesquisas), e agora só lhe restam os loucos para evitar o impeachment e conse­guir, ao menos, ter um capital político para eleger sua família e seus amigos. Agora e, por isso, vale tudo. E quanto mais insano e desvairado, melhor para suas intenções ditatoriais, já que, democraticamente, o fim do Bolsonarismo está agenda­do para outubro de 2022.