ALFREDO RISK

Terminou neste domin­go, 11 de abril, a aplicação da segunda dose da vacina Coronavac na população adulta da cidade de Serrana. Com 45.844 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Es­tatística (IBGE), o município foi escolhido pelo Instituto Butantan, fabricante do imu­nizante, para a realização de um estudo inédito no mundo sobre a eficácia da imuni­zação na população de uma coletividade inteira. Segundo dados do Instituto devem ser imunizadas cerca de 28 mil pessoas. A vacinação não é obrigatória e teve início no dia 17 de fevereiro.

Apesar do fim da vacinação, os re­sultados do estudo e da cha­mada imunização de rebanho só serão divulgados em maio. Isso porque, segundo o Ins­tituto Butantan, os efeitos da vacina começam a ser verifi­cados após duas semanas da aplicação da segunda dose. Este é o período que o orga­nismo humano leva para pro­duzir anticorpos contra a do­ença. Isso significa que quem foi vacinado vai apresentar a resposta imunológica entre o início – para o primeiro gru­po vacinado – e o fim de abril – para os moradores vacina­dos neste domingo.

Cerca de 28 mil pessoas vacinadas em Serrana em estudo inédito – DIVULGAÇÃO/GOVERNO DE SÃO PAULO

Embora os resultados ain­da demorem um pouco para serem divulgados, a cidade tem verificado nos últimos dias, sinais de queda na de­manda por atendimentos e na incidência de casos gra­ves. Os números não podem ser associados oficialmente à imunização, mas na Unida­de de Pronto Atendimento (UPA) de Serrana nos últi­mos dias não havia pacientes intubados segundo dados da Vigilância Epidemiológica.

A média diária de pes­soas atendidas na Unidade também caiu 55% em dez dias. Uma diminuição de 90 para cerca 40 pacientes com suspeita da doença ou diag­nosticados com alguma ne­cessidade médico-hospitalar.

Os casos graves também diminuíram. Antes chega­vam a 70% e até quinta-fei­ra (08) representavam 10%, enquanto os casos leves e moderados que eram de 30% passaram a responder por 90% dos atendimentos.

Por outro lado o Hospital Estadual de Serrana – que aten­de também outras 25 cidades – segue com a Unidade de Te­rapia Intensiva (UTI) com sua capacidade de lotação máxima esgotada. O Hospital possui 16 UTIs e 24 vagas de enfermaria para casos de covid. Já a Santa Casa de Misericórdia tem 14 leitos clínicos para casos leves e moderados.

Mortes
De acordo com dados da Prefeitura de Serrana, a cida­de registrou em março 663 casos da doença, número 35% maior em comparação com fevereiro, que teve 490. Entre fevereiro e março, tam­bém foi verificado um núme­ro de mortes dez vezes maior subindo de duas para 20.

O que o estudo quer saber?
Uma das perguntas que a pesquisa quer responder é se, com a Coronavac, será possível sair da pandemia. “Já sabemos que essa vacina é segura e eficaz, mas agora, quando pensamos no coletivo, na sociedade, será que nós vamos conter a pandemia com essa vacinação? Não estamos pensando em pessoas isoladas. Estamos pen­sando em comunidades. Para que esse estudo dê certo, a comunidade como um todo tem que participar”, afirmou Dimas Covas quando do lançamento do projeto.

A escolha de Serrana para a pesquisa teve como um dos quesitos, o fato de no ano passado o município ter sido objeto de um inquérito sorológico para detectar a preva­lência do novo coronavírus na população.

Os resultados apresentaram números elevados, que chamaram a atenção do Butantan. Em uma das fases, chegou a mostrar que 5% dos moradores estavam ativos para a covid-19.

Outro dado que contribuiu para a escolha foi o fato de Serrana ter cerca de 10 mil habitantes que se deslocam diariamente para a região por conta de trabalho, o que pode favorecer a propagação do novo coronavírus. Além disso, Serrana fica próximo a Ribeirão Preto, considerado importante polo de saúde do país, que pode fornecer estrutura de apoio para a pesquisa.

Os estudos vão verificar a taxa de transmissão da infecção, a redução do uso do sistema de saúde, a carga da epidemia, a possível imunidade de rebanho e outros efeitos indiretos. Também serão analisados o impacto na economia, aceitação da vacinação e a ocorrência de efeitos colaterais que não tenham sido observados anteriormente.

Números de duas cidades com posturas diferentes

As cidades paulistas de Araraquara e Bauru – que adota­ram posturas de restrições diferentes entre si durante a pandemia têm resultados opostos em relação à pandemia. Os dois municípios estão separados um do outro por apro­ximadamente 100 km.

Enquanto o prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), decretou um rigoroso lockdown no mês de fevereiro, em função do aumento de casos e ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (Patriota) impôs restrições mais leves.

Araraquara suspendeu por dez dias todos os serviços que não têm relação direta com o setor de saúde, incluindo trans­porte público e supermercados. Já Bauru impôs restrições mais leves. Pelo Instagram, recentemente, a prefeita publicou vídeo de uma carreata que, pedia a “abertura responsável do comércio local”.

Em fevereiro ela também apareceu em um vídeo em que apa­recia cantando em uma igreja evangélica da qual é membro. Em entrevista, Rosim também tem criticado as restrições im­postas pelo governo estadual para tentar reduzir os casos de covid-19 e disse que o lockdown “não funcionaria em Bauru”.

Depois do lockdown Araraquara teve queda em casos diários e mortes. Já em Bauru, nas últimas semanas, tanto a média diária de mortes quanto a de casos subiram. Araraquara registra média de 11,9 mortes por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. A taxa de Bauru, no mesmo período, é bem mais alta: 26,4 mortes por 100 mil habitantes, segundo dados de 7 de abril divulgados pelo governo estadual.

Cidade pode realizar parceria com Israel

A cidade de Serrana e o país Israel estudam uma parceria para produzir conhecimento em torno da vacina­ção em massa contra a covid-19. A proposta surgiu em função da expe­riência em comum de vacinação em massa naquele país e no município paulista. A primeira reunião sobre o assunto aconteceu na terça-feira (6) no Consulado Geral em São Paulo.

Com 56,28% da população vacinada com as duas doses até 6 de abril, Israel é o país do mundo que pro­porcionalmente mais imunizou sua população, segundo o projeto ‘Our World in Data’, ligado à Universidade de Oxford. Graças à vacinação, foi possível reduzir em 85% as mortes diárias do novo coronavírus e em 72% os casos graves, e que já per­mite à nação a retomada gradual das atividades econômicas e sociais.