Não é raro ouvir que políticos são farinha do mesmo saco, todos iguais, com interesses contrários aos do povo e parecidís­simos. A generalização sempre ocorre de forma fácil e pouco analítica. É como dizer que o advogado defende um acusado ape­nas por interesse financeiro ou de melhoria de imagem, de forma imediata ou no longo prazo. Ou como se todos os motoristas fossem despreparados porque alguns se envolvem em acidentes. Uma parcela de pessoas não deve e não pode pagar pelo conjun­to. É injusto. Nem tudo é permitido julgar por amostragem de uma parte do conjunto.

É claro que a tendência é o julgamento antecipado, a condena­ção antes da comprovação das suspeitas. Principalmente quando o segmento em que o suspeito está inserido tem uma imagem ruim, desgastada. É compreensível diante de muitos fatos ocorri­dos. Mas nem por isso é aceitável. É de se compreender, porque situações que quase ninguém imaginava ocorrer tornaram-se co­nhecidas do grande público, frequentaram os espaços de grandes veículos de comunicação.

Generalizar, no entanto, é um ato irresponsável, desmedido. Porque há pessoas e pessoas, em todos os setores. É perfeitamente possível separar, com análise criteriosa, o que pode até resultar em elogio e/ou indicação.

Falo desta situação, de condenação antecipada, em função da surpresa que tive com a decisão que atingiu o ex-governador Ge­raldo Alckmin nesta semana. Não tenho procuração e nem soli­citação do ex-governador para falar em seu nome. Faço-o porque o conheço há 25 anos. Com ele trabalhei e aprendi grandes lições. Posso assegurar que jamais conheci um homem que tenha 45 anos de atividade na vida pública tão irretocável. Hábitos frugais, patrimônio modesto e impecáveis atitudes.

Pior do que os questionamentos que todos nós pessoas públicas podemos a qualquer momento ter, é o vilipêndio da injustiça moral. Mesmo que sempre prontos a responder, explicar, comprovar, estamos expostos a uma ira coletiva que não se preocupa muito com apurações mais isentas e apresentação de provas. As suspeições já servem como mote para a deturpação da imagem, a punição muitas vezes carregada de injúria e difamação dissimulada.
Falando ainda de Geraldo Alckmin, tenho certeza que o tempo haverá de aguardar a justiça ser feita para confirmar intacta vida pú­blica tão exemplar. O que pode não ser o bastante para o refazimen­to da imagem, a recolocação dos fatos de onde eles não deveriam ter saído. Os prejuízos já terão sido causados pelos indícios.

Não digo que não existam culpados. Já tivemos muitos exem­plos de condenações justas em seu devido tempo, com punições corretas. O que quero mostrar é que há pessoas diferentes nos vá­rios setores da coletividade. E que há bons políticos preocupados com a vida das pessoas. São muitos os exemplos. Então é preciso mirar também nas boas atitudes, nas práticas corretas, no esforço do trabalho honesto e bem intencionado de gestores nos mais di­ferentes níveis. Em Ribeirão Preto mesmo tivemos já pessoas que foram exemplo de excelente conduta no trato da coisa pública. E tivemos os condenáveis. O que não podemos é misturar tudo. Se não pelo bem, também não pelo mal.

É necessário que as pessoas tenham um pouco de boa vontade no momento de receber e analisar as informações recebidas. Pro­curar saber quais os fundamentos implícitos podem estar inseri­dos na divulgação. É importante filtrar antes de cometer qualquer injustiça, certamente difícil de ser reparada. Seja com quem for, em que tempo ocorrer. Por uma questão de seriedade e de busca da imprescindível credibilidade e isenção de julgamentos.

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