SP perde 714 policiais civis em quatro meses

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J.F. PIMENTA

O Estado de São Paulo perdeu uma média de 178 policiais civis por mês, entre fevereiro e junho de 2020. De acordo com o Sindicato dos Delegados de Polícia do Esta­do de São Paulo (Sindpesp), hoje estão vagos 13.764 car­gos na Polícia Civil, 714 a mais do que o registrado em fevereiro deste ano, quando faltavam 13.050 policiais. Em comparação com 2019, a per­da de policiais entre fevereiro e junho cresceu 41%.

De acordo com a presi­dente da entidade, a dele­gada Raquel Kobashi Galli­nati Lombardi, o número é alarmante e resultado, prin­cipalmente, de exonerações e aposentadorias que não tiveram reposição por parte do Governo.

A delegada Raquel Kobashi Gallinati diz que número é alarmante

“É um número alarmante, porque a legislação estabele­ce que o estado de São Paulo deve ter 41.912 policiais civis, mas na prática tem somente 28.148”, explica Raquel, lem­brando que os 13.764 cargos vagos representam um ter­ço dos recursos humanos da polícia. “Esse verdadeiro rombo compromete a segu­rança da sociedade”.

O Sindicato iniciou o le­vantamento do Defasômetro da Polícia Civil em outubro de 2017, mas o rombo vem de longa data e teria sido gerado pelos governos que ocuparam o executivo estadual nos últi­mos vinte anos. Atualmente, faltam 783 delegados, 3.065 escrivães, 3,712 investigado­res, 960 agentes policiais, 794 agentes de telecomunicação, 206 papiloscopistas, 422 au­xiliares de papiloscopista, 284 médicos legistas, 154 peritos criminais, 94 fotógrafos, 39 desenhistas, 54 auxiliares de necroscopia e 162 atendentes de necrotério.

Os carcereiros somam 3.035 cargos extintos. O Sindspesp considera inacei­tável a extinção do cargo sem que o fato não seja contabi­lizado como perda. No lugar do que sai, deveria ingressar um funcionário de outra car­reira, pois todo policial civil operacional colabora nas ta­refas de uma delegacia, seja no atendimento ao cidadão, na investigação, na condu­ção de viatura ou outros serviços. O carcereiro, hoje, ainda mais com o imenso dé­ficit imposto à Polícia Civil, tem valiosa contribuição em todas essas atividades.

Reforma da Previdência agrava quadro
Com a nova previdência proposta pelo Governo do Estado o quadro dos recursos humanos na Polícia Civil está se deteriorando rapidamente. Isso porque os policiais que já possuem tempo para aposen­tadoria estão protocolando seus pedidos, e o Governo não consegue repor os profis­sionais com agilidade.

“O Governo precisa ser rápido para nomear os apro­vados em concurso, para que a Polícia Civil possa realizar seu trabalho de forma efi­ciente”, analisa Raquel Galli­nati. “Quando a polícia tem um terço do seu efetivo sem gente, sem funcionários, a população é a maior prejudi­cada. Os policiais, pela voca­ção e amor ao que fazem, não param, se desdobram para cumprir suas tarefas, mas é humanamente impossível re­alizar tudo o que seria neces­sário”, completa.

Menos efetivo pode comprometer investigações

Em Ribeirão Preto
O Sindicato dos Poli­ciais Civis de Ribeirão Preto – Sinpol, estima que em Ri­beirão Preto seria necessário a contratação de 200 investi­gadores, 300 escrivães e 150 delegados. De acordo com o Sindicato, a defasagem no número de policiais, sobre­carrega e prejudica o traba­lho da Polícia Civil.

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