Jornal Tribuna Ribeirão
Economia

Taxa de juros sobe para 6,25%

MARCELLO CASAL JR./AG.BR.

Em meio ao aumento da inflação de alimentos, com­bustíveis e conta de luz, o Ban­co Central (BC) apertou ainda mais os cintos na política mo­netária. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic – juros básicos da economia – de 5,25% para 6,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

A taxa está no nível mais alto desde julho de 2019, quando es­tava em 6,5% ao ano. Esse foi o quinto reajuste consecutivo na taxa Selic. De março a junho, o Copom tinha elevado a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. No início de agosto, o BC passou a aumentar a Selic em 1 ponto a cada reunião.

Em comunicado, o Copom informa que deverá elevar no­vamente a Selic em um ponto percentual na próxima reunião, no fim de outubro. Com o teto da meta de inflação estourado em 2021, o órgão informou que trabalha para trazer a inflação de volta para o intervalo da meta em 2022 e, “em algum grau”, em 2023.

“O Copom considera que, no atual estágio do ciclo de ele­vação de juros, esse ritmo de ajuste [um ponto percentual por reunião] é o mais adequa­do para garantir a convergên­cia da inflação para a meta no horizonte relevante e, simul­taneamente, permitir que o Comitê obtenha mais infor­mações sobre o estado da eco­nomia e o grau de persistência dos choques”, destaca o texto.

Com a decisão desta quar­ta-feira, 22 de setembro, a Se­lic continua num ciclo de alta. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018.

A taxa básica de juros vol­tou a ser reduzida em agosto de 2019 até alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gera­da pela pandemia de covid-19. Esse era o menor nível da série histórica iniciada em 1986.

Inflação
A Selic é o principal instru­mento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Con­sumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o indicador fechou no maior nível para o mês desde 2000 e acumula 9,68% em doze meses, pressionado pelo dólar, pelos combustíveis e pela alta da energia elétrica.

O valor está acima do teto da meta de inflação. Para 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) tinha fixado meta de in­flação de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto per­centual. O IPCA, portanto, não podia superar 5,25% neste ano nem ficar abaixo de 2,25%.

No Relatório de Inflação di­vulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária estimava que, em 2021, o IPCA fecharia o ano em 5,82% no cenário base. Mesmo com uma queda nos índices no segundo semestre, esse cenário considera o estouro do teto da meta de inflação em 2021.

A projeção está abaixo das previsões do mercado. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com insti­tuições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial de­verá fechar o ano em 8,35%. A projeção oficial só será atuali­zada no próximo Relatório de Inflação, no fim deste mês.

Crédito mais caro
A elevação da taxa Selic aju­da a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encare­cem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por ou­tro lado, taxas mais altas dificul­tam a recuperação da economia.

No último Relatório de In­flação, o Banco Central projeta­va crescimento de 4,6% para a economia em 2021. O mercado projeta crescimento maior. Se­gundo a última edição do bole­tim Focus, os analistas econômi­cos preveem expansão de 5,04% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produ­zidos pelo país) neste ano.

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