O artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Huma­nos (1948) aponta um novo caminho para a humanidade, após a carnificina ocorrida na Segunda Guerra Mundial: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns com os outros em espirito de fraternidade”. Acontece que a Declaração dos Direitos Humanos, não se materializou em muitos países, ficou apenas no papel, e para a nossa infelici­dade, o Brasil que após a Constituição de 1988 parecia que iria percorrer o caminho preconizado pela Declaração, segue o rastro do desrespeito à vida humana.

A Idade Medieval foi o período em que o fundamenta­lismo religioso dominou as atividades humanas, e tudo que contradissesse os seus fundamentos era punido com a morte, mas havia exceções. A principal função das religiões é manter o povão na rédea curta, para que não se rebele e tente tomar o poder. A Reforma Protestante de Martinho Lutero, que conclamava o povo para se rebelar contra a Igreja Católica, tomou cuidado para que suas propostas não despertassem nas classes subalternas à sanha da liberdade, e para colocar as coisas nos seus devidos lugares proclamou: “Deus prefere que existam os governos, por piores que sejam, do que permitir que a ralé se amotine, e tome o poder”, portanto, “Deus sem­pre vai estar do lado dos poderosos!”.

Depois de mil e quinhentos anos, e apesar do Iluminismo, em pleno século 21 vemos o Brasil caminhar a passos largos rumo ao retrocesso, usando as mesmas práticas medievais para manter a alienação que emburrece pessoas pertencentes à todas as classes sociais. Quanto mais religião, menos fraternidade hu­mana. A figura tacanha que ocupa atualmente a Presidência da República, fala em Deus e na religião o tempo todo, no entanto trabalha para que o pobre fique cada vez mais pobre, pois sabe que é através da manutenção da miséria, da ignorância, e do controle da fé, que é exercido pelos grupos milicianos pentecos­tais e seus aliados – é o poder eterno.

Todas as atitudes presidenciais até agora são contra a popu­lação pobre, apesar de alguns, por pura ignorância acharem que ele é um “mito”. O Congresso, mesmo não sendo a favor de uma política que acabe com a desigualdade social, de vez em quando aprova alguma lei que trará, mesmo que momentaneamente algum alento para a população pobre, aí a figura miliciana entra em ação e acaba com a alegria dos pobres. Mas não vamos nos iludir, que isso vai passar se ele sair, pois os tentáculos da política secular da exclusão seguem a máxima de Martinho Lutero.

Estamos chegando ao ápice da degeneração humana. So­mos o maior exportador de alimentos do mundo, no entanto metade da população não consegue se alimentar adequada­mente, e mais de vinte milhões estão passado fome no Brasil. Propôs criminosamente a prática da imunidade de rebanho por contágio, para controlar a pandemia, sem base cientifica propôs o tratamento precoce conta o covid-19, tendo como aliado um grupo de médicos criminosos, vetou a proibição de despejos na pandemia, vetou o programa que colocava nas escolas básicas públicas internet de qualidade, vetou a distri­buição de absorventes femininos, nas escolas e para mulheres carentes, decretou o fim da inclusão escolar. Quando ouvimos falar da miséria da África Subsaariana, nunca imaginaríamos que o um governo de criminosos fosse fazer o povo pobre brasileiro flertar com esta miséria.

Passou da hora de se cumprir o artigo 3º da nossa Cons­tituição, e de dar um basta nesta situação, a população está começando a se rebelar. Não existe noite eterna, e quando a noite fica mais escura, é que está perto o amanhecer. “O sol há de brilhar novamente!”.