Treinamento online

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Francisco e Geovane durante sessão de treinos online

Murilo Bernardes

A pandemia do novo co­ronavírus fez com que vários profissionais das mais variadas áreas se reinventassem para continuar tralhando mesmo com as restrições impostas pela quarentena. Na área esportiva não foi diferente. Vários pro­fissionais do setor, e de outros relacionados, encontraram na internet uma solução paliati­va para seguir trabalhando e atendendo seus alunos.

Francisco Rodrigues é fisioterapeuta do Comercial, mas está dando aulas pela internet durante a pandemia – RAFAEL ALVES/COMERCIAL FC

Este é o caso do fisiotera­peuta do Comercial Futebol Clube, Francisco Rodrigues, que está fazendo acompa­nhamento físico de alguns atletas através de um aplicati­vo de videochamadas.

“Estou atendendo alguns atletas que passaram pelo clube e outros que eu já co­nhecia e que estão atuando em países como a Alemanha. O atendimento é por What­sapp ou chamada de vídeo. Não é a mesma coisa, mas dá para seguir com o trabalho. Os fisioterapeutas e prepara­dores brasileiros são muito procurados, então isso tem ajudado bastante”, afirmou.

Além do trabalho por fora, Francisco segue atendendo os próprios jogadores do Leão do Norte. Mesmo com os salários reduzidos, o tra­balho durante a pandemia continua sendo prestado pelo profissional.

“Também estou aten­dendo os jogadores do clube. O salário foi redu­zido em 50%, mas mes­mo assim a gente segue trabalhando, atendendo quem tem mais dificul­dade, quem tem histórico de lesão e os trabalhos vão sendo feitos semanal­mente”, disse.

Um dos atletas que es­tão sendo atendidos por Francisco é o lateral-es­querdo brasileiro Geova­ne, que atualmente defen­de as cores do Wormatia Worms, clube da quinta divisão da Alemanha. O jogador revelou que o trabalho por videochamadas começou mesmo antes da pandemia.

“Tem me ajudado muito esse acompanhamento que estou fazendo com o Fran­cisco, porque é um cara da minha confiança, com quem trabalhei por muito tempo no Brasil. Ele sempre cuidou das minhas lesões. Tive uma lesão séria no ano passado e ele me orientou por videochama­da. Ele me passa planilhas, me envia os exercícios que posso fazer, me orienta sobre os que eu não posso. Ainda não volta­mos aos treinos por aqui e isso está me mantendo em forma”, avaliou Geovane.

Além do ganho físico, se manter ativo durante a pande­mia pode trazer grandes bene­fícios para a mente. Segundo a psicóloga Isabella Wada, do Instituto de Neurociências e Desenvolvimento (Ined), a prática de atividade física pode ser uma grande ferramenta para a manutenção da saúde e do bem estar.

Acostumado a fisioterapia tradicional, Francisco precisou se reinventar durante a quarentena – RAFAEL ALVES/COMERCIAL FC

“A prática de atividade física em casa pode ser uma grande ferramenta para ma­nutenção da saúde e promo­ção de bem estar. Entretanto, é importante ressaltar que o ex­cesso de cobrança deve ser co­locado de lado neste momento, uma vez que nos encontramos imersos em uma realidade que antes era inimaginável e o autocuidado deve ser con­siderado em todas suas ins­tâncias”, afirmou Wada.

“A pandemia do novo coro­navírus está provocando diver­sas transformações na rotina da população. Diante do isola­mento social e dos sentimentos de incerteza e insegurança, fi­car em casa vem se mostrando um grande desafio”, concluiu.

Crescimento
A pandemia também “aju­dou” quem não precisou se reinventar, mas viu um nicho de produtos crescer por conta da quarentena. Segundo dados da Netshoes, empresa espe­cializada na venda de roupas, acessórios e equipamentos es­portivos, alguns itens tiveram aumento de 2.500%.

“Desde o início do agra­vamento da pandemia no Brasil, a Netshoes criou cam­panhas para oferecer descon­tos e frete grátis para roupas e equipamentos para treinar em casa. Com a necessidade de isolamento social, houve um crescimento expressivo na procura por esse tipo de item. A venda de cordas aumentou 2.000% e a de halteres, 1.900%”, afirma Murilo Massari, diretor comer­cial da Netshoes em en­trevista ao site Valor.

A tendência é que esses profissionais e também os setores continuem preci­sando se reinventar, já que a pandemia do novo coro­navírus parece longe de ser controlada no Brasil. Até o fechamento desta maté­ria, o país registrava mais de 1,5 milhão de casos e 62.045 mortes.