29 C
Ribeirão Preto
7 de julho de 2022 | 14:06
Jornal Tribuna Ribeirão
ALEXANDRE ERMOCHENKO/REUTERS

Ucrânia decide rejeitar cessar-fogo temporário

Assessor do Gabinete Pre­sidencial da Ucrânia, Mykhai­lo Podolyak rejeitou a possi­bilidade de um cessar-fogo no conflito com a Rússia e disse que o movimento é “impossí­vel” sem a completa retirada das tropas de Moscou do ter­ritório ucraniano. “Não nos ofereça um cessar-fogo – isso é impossível sem a retirada total das tropas russas”, afirmou.

Segundo o assessor, “a Ucrânia não está interessada em um novo ‘Minsk’ e na re­novação da guerra em alguns anos”, se referindo à assinatura do Protocolo de Minsk, em se­tembro de 2014, que foi segui­da meses depois da eclosão de uma guerra civil em Donbas, no leste da Ucrânia.

“Até que a Rússia esteja pronta para libertar totalmente os territórios ocupados, nossa equipe de negociação é com­posta por armas, sanções e di­nheiro”, completou Podolyak. As autoridades ucranianas apresentaram acusações de crimes de guerra contra mais dois soldados russos e marcou o início do julgamento para esta quinta-feira, 19 de maio.

O novo julgamento começa um dia depois de um sargento russo de 21 anos se declarar culpado no primeiro processo por crime de guerra cometido na invasão da Rússia na Ucrâ­nia. Os promotores ucranianos afirmam que os dois soldados operavam um lançador de fo­guetes que disparou contra ci­vis na região de Kharkiv.

A arma estava montada em um caminhão. Um dos soldados supostamente diri­gia o veículo, enquanto o ou­tro atirava. Eles serão julga­dos na região de Poltava, no centro da Ucrânia, a sudoeste de Kharkiv. Será o segundo caso de crime de guerra con­tra russos em algumas sema­nas e faz parte do esforço da polícia ucraniana em respon­sabilizar supostas atrocidades cometidas durante a invasão.

O primeiro processo foi con­tra o sargento Vadim Shishi­marin. Ele foi acusado de atirar e matar um ucraniano de 62 anos no dia 28 de fevereiro, quatro dias depois do início da guerra. Na quarta-feira (18), na segunda audiência do tribunal, ele se declarou culpa­do. O julgamento foi retomado nesta quinta-feira. Se conde­nado, Shishimarin pode pegar prisão perpétua.

O processo contra ele tem grande importância simbólica para Kiev. Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, o país acu­sou os russos de terem come­tido mais de dez mil possíveis crimes de guerra identificados até o momento. A Rússia ne­gou os crimes e acusou Kiev de encená-los para difamar as forças russas. O caso mais emblemático é o da cidade de Bucha, nos arredores de Kiev, depois que as tropas russas recuaram do front de batalha para focar as ações no leste. Centenas de corpos foram encontrados em valas comuns e nas ruas da cidade.

Neutralidade
Uma das preocupações de especialistas com relação aos julgamentos de crimes de guerra feitos pela Ucrânia con­tra os russos é a neutralidade do processo. Ativistas afirmam que é difícil mantê-la durante uma guerra e dizem monitorar os julgamentos para garantir a proteção aos direitos legais.

“É surpreendente que um suspeito de crimes de guer­ra tenha sido encontrado e o julgamento dele aconteça. Acusações desse tipo geral­mente são feitas à revelia”, disse Volodmir Yavorski, co­ordenador do Centro de Li­berdades Civis em Kiev.

Vadim Karasev, analista político independente que reside em Kiev, afirmou que é importante que as autorida­des ucranianas “demonstrem que os crimes de guerra serão resolvidos e os responsáveis serão levados à Justiça de acordo com os padrões inter­nacionais”.

Embora a velocidade com que soldados russos estejam sendo levados a um tribu­nal seja incomum para uma nação em guerra, há prece­dentes. Um soldado sérvio­-bósnio, Borislav Herak, foi preso por soldados do Exér­cito bósnio em novembro de 1992 depois de se afastar por acidente do território contro­lado pelos sérvios.

Durante o interrogatório e o julgamento de três semanas, ocorrido em março de 1993, ele confessou 35 assassinatos e 14 estupros e foi condenado à morte por genocídio e crimes contra civis. Posteriormente, a sentença foi reduzida para 20 anos de prisão porque a Bósnia aboliu a pena de morte.

Casos suspeitos
A procuradora-geral da Ucrânia disse na sexta-feira (13) que prepara acusações de crimes de guerra contra 41 soldados russos. Os casos envolvem bom­bardeios a infraestrutura civil, morte de civis, estupros e sa­ques. “Temos 41 suspeitos em casos que estaremos prontos para ir ao tribunal”, disse.

“Todos eles dizem respei­to ao artigo 438 do Código Penal (ucraniano) sobre cri­mes de guerra, mas a diferen­tes tipos de crimes”, ressaltou Irina Venediktova. Não está claro quantos serão julgados à revelia, caracterizado quan­do o suspeito não está pre­sente ao julgamento.

Mais notícias

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
AllEscort