Uma cidade de fantasia

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A NADA – NationalAutomobileDealersAssociation (Associação Nacional de Revendedores de Veículos) dos Estados Unidos, entidade que congrega os 16.708 grupos de concessionários daquele país, realizou sua Convenção Anual na cidade de Las Vegas, semana passada. Participei dela junto com os demais 15.000 inscritos no evento, lotando o enorme Centro de Convenções da cidade. O Convention Center tem uma área construída de 350 mil m², 145 salas de reuniões e estacionamento para 10.000 carros, o que dá uma ideia de sua dimensão. O evento oferece uma grande exposição de produ­tos e serviços – notadamente soluções digitais; workshops e mesas redondas; além de reuniões das marcas onde se discu­tem as estratégias das montadoras e suas redes para o ano.

A minha participação no evento permitiu, em paralelo, conhecer a cidade de Las Vegas, uma ilha da fantasia erguida no meio do deserto, uma Dubai americana. Entroncamen­to ferroviário no início do século passado, a cidade ganhou seu primeiro hotel casino nos anos 1930, o que marcou sua vocação para capital da jogatina americana. Com o decorrer do tempo, além do jogo que é praticado nos lugares mais inimagináveis, a cidade percebeu que precisava diversificar sua vocação, tornando-se polo de turismo, local de grandes centros de compras e de convenções, atraindo anualmente quarenta milhões de turistas, grande parte como eu, que não vai ali para jogar, mas, para usufruir de sua infraestrutura de lazer e de negócios. Hoje, a arrecadação da cidade com os casinos não ultrapassa 23% do total.

Era necessário criar algo diferente, que atraísse os ameri­canos e estrangeiros. Optou-se por recriar locais famosos do mundo e, ao longo de sua avenida central, ergueram-se os hotéis temáticos. Pode-se passear de gôndola na Praça de San Marco, degustar uma bela comida francesa à sombra da Torre Eiffel, apreciar a beleza da Fontana de Trevi, penetrar no Coliseu romano, aqui um excelente centro de compras, enfim encontrar todas as obras que a imaginação possa conceber, com a ordem e a limpeza características do país. E novos atrativos estão sendo erguidos.

Para atender ao alto poder aquisitivo dos americanos, cada hotel construiu seu shopping center, de alto luxo, com lojas de grife. Flores e decorações especiais permeiam as alamedas destes centros, que acabam se conectando. A cena artística mereceu o que de melhor existe e todos os hotéis tem pelo menos um grande teatro para apresentar artistas famosos, espetáculos de mágica e circo. Para se ter uma ideia da grandiosidade da oferta, só o Cirque du Soleil se apresenta em quatro teatros ao mesmo tempo, com temas diferentes. Tive oportunidade de assistir ao show que há nove anos é considerado o preferido dos visitantes, Le Reve (O Sonho ), um misto de acrobacias, mágicas, fogo, chuva, balé aquático que se desenrolam na água do palco circular.

Lendo o folheto da apresentação, ficamos sabendo que, dentro da água, mer­gulhadores fornecem continuamente oxigênio para os artistas quando submergem.

Las Vegas (que em espanhol significa As Campinas) tem também uma cena gastronômica de primeira linha, com chefs famosos, restaurantes badalados, comida de todas as partes do mundo.
É uma cidade de fantasia, nada é original, somente cópias. Mas, um excelente local de turismo, negócios e lazer, ao lado dos velhos casinos.