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Ribeirão Preto
7 de julho de 2022 | 14:26
Jornal Tribuna Ribeirão
FOTOS: EDUARDO FERRARI / DIVULGAÇÃO

Uma experiência na Amazônia

Eduardo Ferrari/Tribuna Ribeirão

Por mais viajado que seja, quando um turista pensa em visitar a Amazônia, há sempre alguns receios que, muitas ve­zes nos fazem buscar por mais informações e pesquisas. Al­guns desses receios são reais: é a natureza em sua essência; ou­tros são puro misticismo.

Infelizmente, muito do que lemos e assistimos em notici­ário nacional sobre a região, retrata apenas a preocupação com a degradação, invasões de terras indígenas ou enchentes. ‘In loco’, no entanto, mesmo próximo ao grande centro, Ma­naus, o que se constata é uma imensidão de natureza preser­vada, uma população com há­bitos enraizados e, uma preocu­pação e cuidado de quem vem enxergando no turismo, uma possibilidade bem maior de de­senvolvimento e sustentabilida­de do que qualquer outra ativi­dade comercial ou extrativista.

Encontro das águas: fenômeno natural único

Uma equipe do jornal Tri­buna Ribeirão foi convidada a conhecer uma parte dessa região em meados de maio último e pode constatar tudo isso bem de perto. O convite foi para se conhecer a região de Altazes, município a pouco menos de 100km de Manaus. Mas, em se tratando de Ama­zônia, o leitor da nossa região deve esquecer suas referências de tempo e distância.

Do aeroporto em Manaus, fomos de carro para uma mari­na. Um barco de passageiros já nos aguardava para a primeira parte da viagem. Calor quente e úmido (a água do rio Negro é morna), partimos rumo ao fa­moso encontro das águas (quan­do os rios Negro e Solimões se encontram e, dependendo da época do ano, juntos ‘cami­nham’ até por quilômetros), sem se misturarem. É um espetáculo sem igual no planeta. A diferen­ça da cor da água do rio Negro com a cor barrenta do Solimões fica perfeitamente registrada em nossa retina (e nas lentes das câ­meras, felizmente).

O caminho para Autazes é um espetáculo por si só. Vale muito. Nova marina e, vencido outro trecho de asfalto tomamos outro barco e seguimos pelo rio Maçarico, por mais uma hora e meia. Ao leitor desavisado, não existe nada de cansativo nisso.

A época em que fomos para Manaus é a da cheia. O rio Maçarico, por exemplo, estava cerca de 10 a 12 metros acima do que se registra no período da ‘seca’. O olhar experiente do nosso guia Herman (um nati­vo nascido na fronteira com o Peru) nos revela uma diversida­de enorme de pássaros, e, mes­mo à beira das margens (com o natural barulho do motor do barco), avistamos macacos de várias espécies, uma iguana, um bicho preguiça… e por aí vai. Na vegetação, chamam a atenção, as famosas Vitórias-régias.

O Angelim-Pedra ou Vermelho pode atingir 80m de altura

Um convite da natureza
A chegada ao hotel é outra experiência. O Juma Amazon Lodge possui, claro, uma de­coração nativa, mas tem como ponto forte oferecer uma expe­riência real de contato com a natureza a todo momento. Sem esquecer do conforto. Da re­cepção (e dos mimos com um refrescante suco de Cupuaçu e uma mesa de café o dia todo renovada à disposição) para os quartos, por passarelas de ma­deira, o hóspede ‘caminha’ sobre as águas do rio Juma e tem ao lado, as copas das gigantes árvo­res mergulhadas na cheia do rio.

Todo o hotel passou por re­cente reforma. Sua estrutura é aconchegante e até aquele que seria o maior dos nossos receios – o pernilongo –, às margens do Juma (por conta da acidez da água), não se faz presente. É perfeitamente possível ficar sem qualquer incômodo na sacada do quarto à noite. A privacidade é outro diferencial. Cada chalé no Juma é construído distante um do outro e ‘dentro’ da mata… É água e verde pra todo lado.

Café da manhã tomado (fru­tas e sucos típicos, e tudo o mais que um hóspede encontra em qualquer hotel do mesmo pa­drão pelo Brasil), partimos para um passeio na selva. Após mais um trajeto de barco, (o barco é a ‘Van’ da Amazônia), fomos para uma trilha de quase duas horas, no meio da selva. O tempo não é tanto pelo caminho, mas pelas paradas obrigatórias feitas pelo guia para nos mostrar as maravi­lhas da fauna e da flora. A maioria dos bichos, claro, se afugentam, mas observa-se pegadas diversas, pequenos animais que se disfar­çam como troncos ou folhas de árvores, e, claro, muitas árvores. Uma delas, o Angelim Ferro, se destaca pela cor avermelhada do seu tronco e sua altura fenome­nal; outra, uma Sumaúma (con­siderada a árvore que chega no maior porte do Brasil), apresenta o que se chama de ‘sapopemas’ (raízes que se desenvolvem junto ao tronco, chegando a atingir cer­ca de dois metros acima do solo e quando se bate com outro peda­ço de madeira ou com as ‘costas’ de um facão, emite um som alto e claro). “É o WhatsApp do índio”, brinca o guia Herman, que logo explica que, de fato, muita gente perdida já foi encontrada com a ajuda da árvore.

As experiências não ficam por aí. Grudado ao tronco de outra árvore, o guia nos apre­senta o cipó Ambé, com o qual os índios faziam ‘cigarros’. Ex­perimentamos como um cha­ruto… e não é que dá certo? Na natureza, os índios encontram quase tudo que a maioria das pessoas só conhece de forma industrializada. A árvore Breu, por exemplo, solta uma espécie de cera por seu tronco que é in­flamável. Pega fogo fácil e dura bastante. Os índios sempre a usaram para deslocamento ou caçadas noturnas.

 

 

Imersão
As horas passam de forma lenta na Amazônia. Três dias pareceram uma semana. Um passeio noturno para focagem de jacaré (tentar achar o jacaré pelo reflexo do brilho da lan­terna em seus olhos), infeliz­mente foi frustrado, apesar do esforço do guia Herman. Na cheia do rio, os jacarés buscam abrigo mais para o interior das matas (lembrando que a água quase cobre a copa das árvores, portanto, as margens – lugares onde eles gostam de ficar – so­mem. Mas um passeio pelo rio no dia seguinte, e com retorno ao hotel conduzindo uma ver­dadeira canoa indígena (feita de um tronco único) foi outra experiência fantástica!

O Juma Amazon Lodge ofe­rece aos visitantes uma gama de atividades, dependendo do paco­te. E a própria vinda ao hotel (e o retorno), podem ser de hidroa­vião, se o hóspede quiser. Não é barato, mas está à disposição.

Antes da pandemia, a maior parte dos turistas eram estran­geiros, quadro que mudou nos últimos dois anos. De certa forma, – e com todo o respeito à tragédia que isso representou para o mundo – o turismo na­cional acabou mostrando aos próprios brasileiros um pouco do que existe de tão bom e que muitos infelizmente, não se dão a oportunidade de conhecer.

Sobre o Juma Amazon Lodge
Com apenas 19 bangalôs, o Juma foi construído em terra firme sobre palafitas, na copa das árvores, totalmente integrado à Floresta Amazôni­ca. Este procedimento é necessário para atender às épocas de cheia dos rios onde o nível da água pode subir até 15 metros.

O Juma oferece ótimos recursos para um hotel de selva, aliando a preocupação ambiental com conforto. São seis bangalôs com vista para a floresta, doze para o rio Juma (sendo um maior, para famílias) e um panorâmico. Todos possuem varanda com rede, banheiro com água quente – por energia solar – e ventilador (mais do que suficiente para a noite Amazônica, mais fresca que na cidade). Com a nova estação para captação de energia solar, prestes a ser inaugurada (com nada menos que 304 placas fotovoltáicas), alguns quartos também terão o luxo extra do ar condicionado.

Diferenciais
O restaurante do Juma também foi construído sobre palafitas e possui uma excelente vista para o rio de mesmo nome. Todas as refeições são servidas em buffet, com cozinha regional – destaque total para os peixes amazônicos como o fantástico Pirarucu e o Tambaqui – e internacional.

A piscina do Juma foi pensada para ser a mais autêntica possível. Flutuante, acompanha o nível do rio, possibilitando a interação em qualquer das estações. Ao redor dela, é possível tomar sol e usufruir dos serviços de bar.

O hotel ainda possui um pequeno Museu, para oferecer aos hóspedes mais conteúdo e informações sobre tudo que circunda a Amazônia: fauna, flora, costumes, lendas, dentre outros. Uma apresentação de fotos em slides, completa um ciclo de conhecimento para quem foi à Amazônia apenas em uma das épocas do ano. Mas a vontade que fica, claro, é a de se voltar logo.

Conheça mais: www.jumalodge.com.br

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