Discursos como Lula Livre e que estamos vivendo um governo fascista asseguram o isolamento de uma grande parte da centro-esquerda abrigada no PT.

Essa maioria do espectro da centro-esquerda, que não é mais maioria na sociedade, tem uma lide­rança que insiste nesse discurso e que não consegue fazer uma leitura realista e adotar novas pautas, liderando uma oposição! Pelo contrário, se isola e atrai só os sectários!
Estamos numa democracia!

Isso é angustiante, mas é o pior regime, depois de todos os outros.
Poder falar o que pensa, embora muitas vezes se fale sem pensar. Poder se reunir, se manifestar. Realizar eleições com lisura no processo. Ter um Judiciário que erra, mas existe. Ter um Legislativo esco­lhido pelo voto. Ter uma imprensa livre e agora com as redes sociais, apesar das fake news, mostra uma liberdade nunca vista anteriormente. Tudo isso significa democracia.

O grande susto, para algumas lideranças da corrente de pensamento de centro-esquerda, é que a maioria silenciosa não é mais tão silenciosa. Ocorre que assim como na centro-esquerda, na centro-di­reita quem mais se manifesta são figuras muitas vezes mais radicais e que são mais ruidosas. Todavia, tanto de um lado quanto do outro, essas expressões mais radicais não são as médias de cada um dos espectros. Ainda bem!

Após a ditadura militar, a sociedade tendeu a pautas mais sociais, forjou uma constituição mais avan­çada que a própria realidade brasileira e elegeu representantes que foram da centro-direita para centro -esquerda aos longo das eleições, culminando com os governos do PT.
Após os governos Lula começa um processo de mudança da maioria na sociedade. Saindo da centro -esquerda para centro-direita.

Ajudou nisso o desastre dos governos Dilma, a velha corrupção nas barbas de quem sempre falou que não era corrupto e se esbaldou também nela, enfim, a sociedade cansou daquele projeto.

Ser de esquerda, para maioria da sociedade, virou sinônimo de bandido.
Venceu a centro-direita! A grande maioria silenciosa elegeu um governo, cujo presidente não é bem seu representante, mas é o mais próximo. É o que podemos classificar de qualquer coisa! Lembra do qualquer coisa menos o PT?

Quais as pautas que venceram:

  1. Família – em contraposição a uma imaginada exacerbação da defesa justa das minorias, mas que para cabeça conservadora ficou parecendo que a minoria era a maioria! Hoje vemos tentativas de caminhar para ve­redas mais radicais do espectro conservador. A radicalização disso fica explícito com Damares, Ernesto Araújo, Velèz na educação. Uma atuação ideológica e religiosa! Nefasto para um estado laico e plural!
  2. Honestidade – em função dos casos de corrupção que assistimos e numa democracia aberta, isso fica mais exposto. Muito embora existam já exemplos de pequenos delitos da família do presidente e do seu partido. Porém, não são coisas novas, mas na cabeça da nova maioria, são pequenos e até o Moro vem perdoando, como fez com Onyx!
  3. Mais Brasil e menos os aliados de esquerda – ficou clara uma preferência por relações internacionais mais sul-sul dos governos anteriores. O ápice é a ojeriza criada por Cuba e Venezuela. “Vai para lá!”. Lembram? Neste ponto, como na questão da família, na minha opinião, a sociedade trocou um espectro pelo outro. Sai a ideolo­gia de esquerda e entra a de direita. Se estávamos indo para um extremo, o que acho exagero (vide as besteiras da mamadeira de piroca), agora estamos indo para o outro. Ao invés disso, a sociedade quer pluralidade, com respeito às diferenças. Alinhararam-se automaticamente com EUA e Israel, a troco de nada! Parece-me mais ideológico do que os governos anteriores fizeram, só que em outra direção.

Por que falo de uma nova centro-esquerda?
Creio que é necessária uma oposição a este projeto. Uma oposição que faça as críticas corretas e assim como os vencedores precisam mudar, que ainda continuam com as pautas da campanha; que a oposição também desça do palanque!

A discussão precisa expor que essa guinada conservadora pode não levar o país aonde a maioria da sociedade acha que vai levar!

O governo Bolsonaro tem seu pior inimigo centrado nele mesmo, sua boca grande e nos seus filhos! Fruto disso é a pior avaliação de um governo em primeiro mandato. Isso não foi obra da oposição. É fruto da própria atuação do Bolsonaro!

Falo de uma nova centro-esquerda porque creio que a distribuição de renda ainda seja a maior restrição econômica e social desse país. Para alterar isso, só um governo mais comprometido em reduzir privilégios.

Vejam que esse governo não vai nessa direção com o exemplo do projeto para os militares.
Como estão no poder, com o Bolsonaro, diga-se de passagem pelo voto, ao invés de prever cortes, aproveitaram para aumentar os privilégios do topo da carreira. Ao passar para reserva, um militar se aposenta com 100% de aumento no seu salário!! Vão receber também 8 salários, no dia da passagem para reserva. Pode? Isso é assim para todos??? Mais um privilégio!

Essas incoerências vão se ampliar e é necessário se estruturar uma oposição responsável e capaz de dialogar com a maioria da sociedade.

Vejo isso em setores de alguns partidos novos, nos partidos ditos de esquerda (exceto os mais sectá­rios), em setores do PSDB e PMDB.

Precisamos preparar essa nova centro-esquerda, pois não vejo consistência nesse governo que se inicia e a população começa a perceber isso.

Precisamos de pautas de unidade e esse é o desafio!

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