A cidadania é base de uma Nação, e, portanto, é fundamental que se aprenda desde a tenra idade a sua importância. O modelo da escola pública da educação básica brasileira vem do século 19, espelhado notaylorismo-fordismo, que estabeleceu o modelo de escola e sala de aula, ideal para formar os trabalhadores que as indústrias necessitavam naquele momento.

O modelo escolar foi sedimentado em uma disciplina rígida, onde a participação do aluno era restrito ao não senhor e sim senhor. As aulas de quarenta e cinquenta minutos, o apito fabril nos intervalos criava uma narrativa perfeita na construção do modelo ideal de cidadania.

As carteiras enfileiradas, e o professor isolado na frente da sala, no modelo “lousa/giz” atravessou o século 20, e ainda produz seus efeitos em pleno século 21. A República trouxe no seu bojo a expansão da educação pública básica, no entanto o princípio do regime republicano, que é primar pelo interesse público de todos os cidadãos não foi respeitado.

Haja vista que o primeiro ministério que ia cuidar da educação – tinha outras atribuições. A criação em 1890 da Secretaria de Estado dos Negócios da Instrução Pública, Correios e Telégrafos, com ênfase maior para os Correios e Telégrafos, mostrou que a educação básica não teria vida fácil no Brasil.

A oligarquia rural que abocanhou a República no Brasil fechou o caminho que nos levaria a ser uma Nação, e com isso transfor­maram o País em um fazendão, que durou até 1930. Acontece que as dificuldades forjam o caráter da resistência, e em 1932 surgiu o primeiro movimento em prol de uma educação básica pública de qualidade para todos.

No entanto as oligarquias herdeiras do fazendão ligadas a Igreja Ca­tólica obstruíram o novo caminho. Mesmo com todas as dificuldades Anísio Teixeira, que foi um dos educadores que assinaram o Manifesto dos Pioneiros da Nova Escola em 1932, colocou em prática em 1961, o seu projeto de escola integral – criando na Bahia o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, conhecido como Escola Parque.

A filosofia da Escola Parque foi alicerçada nas ideias de John Dewey que dizia: “A escola não pode ser uma preparação para a vida, e sim a a própria vida”, e a Escola Parque colocou em prática obtendo excelen­tes resultados. No entanto esse modelo de educação foi estigmatizado pelos governantes, que preferiam dar ênfase ao modelo giz/lousa do século 19. Os avanços que a educação básica pública brasileira expe­rimentou até meados da segunda década do século 21, não conseguiu fugir do velho modelo estigmatizado giz/lousa.

O espaço escolar tem que ser um espaço de respeito, acolhimento, empatia, solidariedade, harmonia e compartilhamento, e com isso o aprendizado se torna um projeto coletivo. O educador português José Pacheco afirma com propriedade: “aula não ensina e prova não prova”, e comprova a sua teoria. A escola básica pública brasileira não pode ser um lugar onde o aprendizado acontece na dificuldade e sofrimento.

Sofrer para aprender é uma pedagogia ultrapassada ligada aos dogmas da Igreja na Idade Média. É fácil mensurar a satisfação dos educandos com a maioria das escolas – é só olhar a felicidade dos educandos quando não tem aula. O Código de Defesa do Consumidor afirma que para haver uma relação de consumo é preciso ter pessoas interessadas em vender e outras interessadas em comprar. Imagine se o Código fosse usado na educação básica pública, onde a escola obriga o aluno a comprar um produto que ele não quer comprar, mas tem que levar, e é obrigado a pagar.

A democracia é um regime do diálogo e participação, não se faz uma escola democrática impondo decisões de cima para baixo. Ou­vir os educandos, e permitir que participem das decisões sobre seu aprendizado é a cereja do bolo. Uma nova educação básica pública se abre no horizonte.