Levantamento feito pelo De­partamento Estadual de Trân­sito de São Paulo (Detran.SP), com números consolidados en­tre os anos de 2017 e 2020, mos­tra que o uso do celular ao vo­lante representou 7,5% de todas as punições de motoristas que trafegam pelas vias paulistas.

Em Ribeirão Preto, São Pau­lo, as multas por uso de celular ao volante representam 6,4% da totalidade de infrações aplica­das na cidade no ano passado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso do celular, além de gerar multa aos condutores, aumenta em 400% o risco de acidentes.

No Estado, em 2017, esse tipo de infração representava apenas 3,4% do total, menos da metade do percentual registrado no ano passado. O crescimento nesse período foi contínuo: 4,4% em 2018 e 4,9% em 2019. Em 2017 foram 65 mil multas por uso indevido de celular ao volante. Em 2018, mais 75 mil, em 2019 outras 69 mil e em 2020, 66 mil.

Em Ribeirão Preto, nos úl­timos quatro anos, o peso dessa infração aumentou cerca de 100% em relação ao total de multas aplicado no município, saindo de 3,2% em 2017 para 2,3% em 2018, depois 3,1% em 2019 e 6,4% em 2020. Foram registradas 1.078 multas deste tipo em 2017, ou­tras 803 em 2018, mais 856 em 2019 e 641 em 2020, queda de 25,1% e 215 a menos.

Porém, é importante ressal­tar que em 2019 não havia a im­posição de quarentena por causa da pandemia de coronavírus. Classificada como infração gra­víssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a multa por uso de celular ao volante é de R$ 293,47, além de sete pontos anotados na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

A multa pode ainda ser com­binada com outro tipo de infra­ção, a condução de veículo sem as duas mãos ao volante, com valor de R$ 130,16 e que rende mais cinco pontos na carteira. “É preciso que os motoristas en­tendam que, assim como a be­bida alcoólica, o telefone móvel não combina com direção. Um trânsito mais seguro depende do engajamento de todos”, afirma Ernesto Mascellani Neto, dire­tor-presidente do Detran.SP.

Quase 20% da população das capitais brasileiras admite utilizar o smartphone enquanto conduz um veículo. “Muitas ve­zes, o simples gesto de deixar de atender uma ligação no celular ao dirigir pode salvar uma vida. Essa é a mensagem que quere­mos levar à população, acres­centa Silvia Lisboa, coordenado­ra do programa Respeito à Vida.

Imprudência também no exterior
Estudo divulgado pela Na­tional Safety Council (NSC) aponta que 96% dos entrevis­tados concordam que digitar e-mails e mensagens enquanto dirigem é um grande problema para a segurança no trânsito. Em paralelo, 34% assumem já ter exercido tal atividade duran­te a direção e 44% declaram que costumam ler e-mails e textos enquanto dirigem.

Normalmente, um condu­tor demora cerca de 2,5 segun­dos para começar a frear diante de um imprevisto na rodovia, quando o veículo está a veloci­dades entre 80 e 100 km/h. Se o motorista está na cidade, o tempo de reação é menor: 0,75 segundos. Em contrapartida, para digitar dois algarismos no celular, o motorista demora dois segundos. Assim, geralmente, quando percebem o imprevisto, não há mais tempo para frear.