ALFREDO RISK

Motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres que pas­sam pela avenida Nove de Ju­lho, um dos cartões-postais de Ribeirão Preto, no Alto da Cidade e que corta vários bair­ros – Vila Seixas, Higienópolis, Jardim Sumaré etc. –, já nota­ram que o pavimento da via está passando por reparos.

A Secretaria Municipal da Infraestrutura está fazendo reparos emergenciais na ave­nida. No total, nove trechos onde há paralelepípedos sol­tos serão contemplados para evitar prejuízo ao motorista – além de danificar o veículo, o problema ainda pode pro­vocar acidentes se o condutor não estiver atento.

Segundo nota da Coorde­nadoria de Comunicação So­cial (CCS) enviada ao Tribuna, o reparo é emergencial e está sendo realizado pelas equipes próprias da Secretaria Infraes­trutura. Os trabalhos já foram realizados no cruzamento da Nove de julho com a avenida Independência.

Nesta sexta-feira, 30 de julho, os funcionários da pas­ta estavam na esquina da rua Marechal Deodoro e, poste­riormente, outros sete pontos críticos serão atendidos. A prefeitura de Ribeirão Preto também já concluiu o proje­to executivo para restauração da avenida.

A situação também envolve burocracia e cautela, já que a via – incluindo seus paralelepí­pedos e as pedras portuguesas do canteiro central – é tomba­da desde 2008 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Conp­pac). Por ser considerada pa­trimônio histórico da cidade, a Nove de Julho não pode ter o projeto original alterado.

Também por meio de nota da CCS, a Secretaria Munici­pal de Obras Públicas já havia informado ao Tribuna que “a avenida Nove de Julho passará por restauração, já que é tom­bada desde 2008 e patrimônio histórico de Ribeirão Preto. O projeto executivo já foi con­cluído e faz parte do Programa Ribeirão Mobilidade, aguar­dando a abertura de licitação”.

Ressalta que “por ser patri­mônio histórico da cidade, o projeto original não pode ser alterado”. Diz ainda que “a via será completamente restaura­da, mantendo os paralelepípe­dos e pedras portuguesas do canteiro central. Em toda sua extensão, o canteiro central e as calçadas serão revitalizados.

Todas as esquinas da ave­nida contarão com rampas de acesso para cadeirantes com piso tátil direcional e de alerta, indicando os pontos de espera e de travessia para deficientes visuais. Também serão implan­tados novos pontos de ônibus com pavimento de concreto”.

Em junho, o vereador Elizeu Rocha (PP) reinsta­lou a Comissão Especial de Estudos da Nove de Julho. O objetivo é discutir e apurar possíveis alternativas para o trânsito de veículos pesados – ônibus e caminhões – na avenida. Brando Veiga (Re­publicanos) e Gláucia Bere­nice (DEM) integram a CEE.

Considerada um cartão­-postal da cidade, a Nove de Julho foi planejada pelo pre­feito João Rodrigues Guião, em 1921. Os primeiros quar­teirões da avenida foram en­tregues no dia 7 de setembro de 1922, com o nome de ave­nida da Independência.

A avenida passou a se chamar Nove de Julho alguns anos depois e ganhou pres­tígio na cidade a partir do início da década de 1950. As residências construídas nas proximidades seguiram, em sua maioria, o estilo moder­no. Com o passar do tempo, foi perdendo suas caracterís­ticas de área residencial.

Ao longo dos últimos 20 anos ela se transformou no principal centro financeiro da cidade e região. É famosa pelas frondosas sibipirunas. Mesmo com a transformação que sofreu nos últimos 40 anos a avenida manteve suas características que lembram a década de 1950 – os para­lelepípedos da rua e o calça­mento dos canteiros centrais.

Ao longo de seus pouco mais de dois quilômetros, reúne cerca de 30 bancos, entre comerciais e de investi­mentos, além de seguradoras, consórcios, bares, restauran­tes, lanchonetes etc. Um dos principais problemas para a manutenção dos paralelepí­pedos da avenida é a falta de mão de obra especializa­da. Os últimos calceteiros se aposentaram e faltam profis­sionais na área.