Jornal Tribuna Ribeirão

Viva as mulheres com a estranha mania de ter fé na vida

professor

Nesta semana acompanhando os integrantes da Associação de Moradores da Vila Tibério e Adjacências – AMOVITA, da Associa­ção Comercial e Industrial-ACIRP e do movimento SOS Lar Santana, ouvimos a fala da presidente Tânia Muraca, na Tribuna Livre da Câ­mara Municipal, solicitando o apoio para o projeto de restauração e des­tinação daquele prédio tão importante para a cidade, que abrigou a obra social das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição e teve madre Maurina Borges da Silveira como superiora. Presa na ditadura mili­tar, a religiosa foi torturada e tornou um dos símbolos da resistência feminina. Agora a sociedade civil organizada pretende que o espaço acolha atividades de cultura, lazer, educação e formação profissional.

Curiosamente na mesma sessão foi homenageada a juíza do Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Ribei­rão Preto, Carolina Moreira Gama, cujo trabalho mereceu grande destaque, especialmente na integração e fortalecimento de iniciati­vas de combate e enfrentamento à violência de gênero, assistência integral às mulheres em situaçãode violência, incluindoa Justiça Restaurativa e a Reeducação do Autor de Violência do Gênero, entre tantos. A magistrada dedicou grande dose de seu tempo de falapara nominar e exaltar a atuação de diversas mulheres dos mais varia­dos serviços, entidades e coletivos que integram a rede protetiva da mulher em nossa cidade, muitas presentes no plenário.

O encontro das histórias dessas mulheres não pode ser mera coincidência,pois ocorre justamente na semana em que se comemo­ra o Dia Latino-Americano da Imagem das Mulheres nos Meios de Comunicação. A data foi instituída durante o 1º Encontro Feminista Latino-Americano na cidade de San Bernardo, na Argentina em desagravo a interrupção do Programa Viva Maria, criado em 14 de se­tembro de 1981, comandado pela jornalista e radialistaMara Régia (cujo tema de abertura é o hino “Maria Maria”, de Fernando Brant e Milton Nascimento), que há quarenta anos se dedica à defesa dos direitos da mulher, aliás, tivemos a honra de reproduzir vários episódios em nosso Programa Fórum do Trabalhador pela Rádio 79AM.

Ouvindo Tânia,recordei das várias mulheres que, simultanea­mente ao trabalho e a família, assumiram a presidência ou liderança nas associações de moradores, sindicatos,movimentos pela mora­dia, luta pela terra, reforma urbanae preservação do patrimônio histórico. Com Carolina, a importância da educação e da qualifica­ção profissional para a ocupação de todos os espaços, incluindo o judiciário. Enquanto falavam, também, observava Duda, Glaucia e Judeti, nossas poucas representantes femininas no parlamento local e refletia sobre a desproporcionalidade de gênero também no con­gresso nacional onde elas são apenas 15%, índice inferior ao resto do continente que está em 31%.

Se por um lado, ainda, temos que intensificar as ações de redu­ção dos indicadores de violência doméstica contra a mulher e lutar pela implementação das políticas de proteção às vítimas, existem outras frentes de promoção da justiça e da equidade social que precisam de nosso apoio. Nos meios de comunicação, no mercado de trabalho e quase todos os setores econômicos e sociais, a mulher está ascendendo, sendo protagonista, mas a desproporcionalidade continua imensa. São pautas aparentemente diferentes, mas que possuem total conexão e ensejam ações em rede, intersetorialidade e a união de poderes e saberes.

Nossa solidariedade às mulheres vítimas da violência, nossa re­verência àquelas que devotaram a vida na luta pela igualdade, nossa saudação e parceria com as que continuam engajadas. Viva Maria, viva Tânia, viva Carolina, viva Mara e tantas mulheres que perma­necem lutando comforça, raça e gana, trazendo essa força que nos alerta e mantendo a estranha mania de ter fé na vida.

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