Jornal Tribuna Ribeirão

Viver com ajuda de aparelhos ou morrer naturalmente?

Um tema que muitos não gostam de pensar, comentar ou discutir é a morte. Agora se ima­gine numa situação em que, por uma fatalidade, você vá parar numa cama de hospital e só con­siga respirar com a ajuda de apa­relhos. Qual seria seu desejo, viver vegetativamente à espera de um milagre ou morrer naturalmente.

Pois essa é a essência de uma pesquisa para o tema polêmico, a chamada morte digna, que vem sendo realizada pela Fede­ração dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (FEHOESP), pelo portal fehoesp360.org.br/.

Além da pesquisa e fomen­tar a discussão sobre o assunto, a FEHOESP quer a criação de banco de dados, à disposição de hospitais e equipes de saúde, que centralize todos os testa­mentos vitais do Brasil.

A FEHOESP quer ainda que levar a questão a ser regu­lamentada por projeto de lei para garantir segurança jurí­dica para médicos, hospitais e profissionais de saúde.

Qualquer cidadão pode res­ponder a pesquisa. O objetivo é saber o que a população pensa sobre o tema da morte e do tes­tamento vital. Em 16 questões de múltipla escolha, a entidade quer saber, por exemplo, se a vontade do paciente na hora da morte deve prevalecer sobre a vontade do médico e/ou sobre a vontade dos familiares.

Segundo o médico Yussif Ali Mere Júnior, presidente da FEHOESP e também do Sin­dicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de Ribeirão Preto (SINDRIBEIRÃO), existe atual­mente grande temor dos médicos e hospitais em cumprir o pedido de um paciente terminal, caso ele não queira, por exemplo, re­ceber tratamentos invasivos. “Há receio de processos judiciais, pois não há garantia jurídica para que serviços e profissionais de saúde cumpram diretivas antecipadas da vontade do paciente sem cor­rer riscos”, constata.

Yussif Ali Mere Júnior ressalta que respeitar o direito do paciente de ter uma morte digna ou “boa” morte é muito diferente da euta­násia, procedimento de antecipa­ção da morte. A morte digna re­fere-se a uma morte natural, sem a interferência de procedimentos invasivos e dolorosos. Esse novo conceito está associado aos cui­dados paliativos, uma nova es­pecialidade médica, que foca em oferecer tratamentos multidisci­plinares ao doente para minimi­zar sua dor física e emocional e oferecer a possibilidade de uma morte digna.

A pesquisa segue com per­guntas claras e diretas como quais cuidados ou tratamentos o paciente não poderia recusar mesmo diante de uma doença fora de possibilidades terapêuti­cas. E cita, entre outras, interna­ção em UTI, respiração artificial, nutrição artificial, hidratação artificial etc. Questiona se ado­lescentes entre 16 e 18 anos po­deriam ter o direito de fazer o testamento vital. E levanta a questão sobre a criação de um banco de dados que centralize todos os testamentos vitais no Brasil e esteja à disposição dos hospitais e das equipes de saúde mediante acesso restrito.

No final de setembro, a FEHOESP vai apurar o resul­tado da pesquisa e, a partir de seus resultados, deverá sugerir um projeto de lei ao Congresso Nacional, que será encaminha­do à Comissão de Seguridade Social, propondo que o testa­mento vital vire lei, garantindo direitos dos pacientes e res­guardando médicos, trabalha­dores e serviços de saúde.

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