Mercado estima inflação de 3,84%

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MARCELLO CASAL JR./AG.BR.

As instituições financeiras consultadas pelo Banco Cen­tral (BC) aumentaram a esti­mativa para a inflação este ano, pela quinta vez consecutiva. A projeção para o Índice Nacio­nal de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 3,52% para 3,84%, desta vez. A infor­mação consta no Relatório de Mercado Focus, pesquisa se­manal BC que traz as projeções de instituições para os princi­pais indicadores econômicos.

A alteração na estimativa para este ano veio depois da di­vulgação do IPCA de novem­bro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mês passado, o índice ficou em 0,51%, maior taxa para o mês desde 2015 (ou 1,01%), puxada pela alta de 8,09% nos preços da carne. É o maior re­sultado para o mês desde 2015, quando a taxa tinha avança­do 1,01%. Em novembro de 2018, havia ficado negativo em 0,21%. Em doze meses acele­rou para 3,27% em novembro. No ano está em 3,12%.

Para 2020, a estimativa de inflação se mantém há seis semanas em 3,60%. A pre­visão para os anos seguintes também não teve alterações: 3,75% em 2021, e 3,50% em 2022. As projeções para 2019 e 2020 estão abaixo do centro da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacio­nal, é 4,25% em 2019, 4% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022, com intervalo de to­lerância de 1,5 ponto percen­tual para cima ou para baixo.

Selic
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente definida em 5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). De acor­do com as instituições financei­ras, a Selic deve cair para 4,5% ao ano na reunião do Copom desta semana. Para o fim de 2020, a expectativa é que a taxa básica também esteja em 4,5% ao ano. Para 2021, as institui­ções estimam que a Selic encer­re o período em 6,25% ao ano. A estimativa anterior era 6% ao ano. Para o final de 2022, a pre­visão segue em 6,5% o ano.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimu­lando a atividade econômica. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos pre­ços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimu­lam a poupança. A manuten­ção da Selic indica que o Co­pom considera as alterações anteriores suficientes para chegar à meta de inflação.

Preços administrados
O Relatório de Mercado Focus indicou, ainda, altera­ção na projeção para os preços administrados em 2019. A me­diana das previsões do merca­do financeiro para o indicador este ano foi de alta de 5,07% para 5,10%. Para 2020, a me­diana seguiu em alta de 4,00%. Há um mês, o mercado proje­tava aumento de 4,70% para os preços administrados em 2019 e elevação de 4,10% em 2020. As projeções atuais do BC para os preços administrados, no cenário de mercado, indicam elevações de 5,2% em 2019 e 4,0% em 2020.

Atividade econômica
A projeção para a expan­são do Produto Interno Bru­to (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – subiu de 0,99% para 1,10%, neste ano. As estimati­vas das instituições financeiras para 2020 variou de 2,22% para 2,24%. Para os anos seguintes, não houve alteração em relação à pesquisa anterior: 2,50% em 2021 e 2022. Na última sema­na, o IBGE informou que o PIB cresceu 0,6% no terceiro trimestre deste ano, na compa­ração com o trimestre anterior. A projeção para a cotação do dólar subiu de R$ 4,10 para R$ 4,15, no final de 2019, e de R$ 4,01 para R$ 4,10, no encerra­mento de 2020.

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