Tribuna Ribeirão
Ciência e Tecnologia

Nascimento de buraco negro ou estrela de nêutron é observado pela primeira vez

Pela primeira vez na história, astrônomos conseguiram testemunhar o nascimento de um objeto extremamente denso que pode ser um buraco negro, ou uma estrela colapsada resultando uma estrela de nêutrons. Até então, a ciência somente havia visto esses tipos de objetos muito tempo depois de sua formação.

Com a nova observação, será possível estudar mais a fundo como objetos superdensos se formam, ajudando a desvendar um pouco mais de seus mistérios. A descoberta foi apelidada de The Cow (“A Vaca”), e foi feita sem querer, durante uma pesquisa rotineira sobre o céu noturno, usando telescópios do Observatório Heck, no Havaí.

A equipe de astrônomos estava procurando por explosões transientes, que aparecem de repente tão rapidamente quanto desaparecem. Em junho do ano passado, um transiente incrivelmente brilhante foi avistado, com o pico de seu brilho acontecendo em apenas dois dias. A explosão emitiu uma luz de 10 a 100 vezes mais intensa do que explosões de estrelas, ou supernovas.

The Cow, avistado pelo Observatório Keck (Foto: Raffaella Margutti/Northwestern University)

 

Após um exame detalhado, a equipe percebeu que aquela explosão não era algo comum, com a radiação do núcleo da explosão brilhando por todo o material ejetado, e os astrônomos entenderam que dali estava surgindo algo extremamente denso. E normalmente, em uma supernova, o objeto compacto formado é oculto, pois explosões ordinárias de estrelas costumam criar gigantescas bolhas de material ao seu redor, que bloqueiam o que está lá dentro de nossa visão. Mas, desta vez, os astrônomos conseguiram obter dados do que estava ali dentro da explosão, o que indicou não se tratar de uma supernova comum.

Então, a explosão observada pode se tratar do surgimento de um buraco negro, ou de uma estrela de nêutrons, que também é incrivelmente densa. Raffaella Margutti, astrofísica da Universidade Northwestern que liderou a pesquisa, conta que o primeiro forte indício de que ali havia algo verdadeiramente singular foi com a medição dos raios-X emitidos por The Cow. Ela e sua equipe encontraram uma abundância de raios-X “duros”, 10 vezes mais poderosos do que a média, e esse tipo de sinal geralmente está associado a buracos negros, sugerindo que algo dentro da explosão está devorando material — justamente como buracos negros costumam fazer.

“É algo que nunca vimos antes em um transiente, completamente sem precedentes”, celebra Margutti. Normalmente, supernovas levam semanas para atingir seu brilho máximo, e o fato de que a The Cow atingiu este ponto em apenas dois dias é algo surpreendente, sendo que isso pode ser justificado porque havia menos material expelido para bloquear a luz. Agora, por que isso aconteceu, ainda é um mistério. Talvez a maior parte do material expelido tenha “caído” no buraco negro recém formado, ou sido atraído pela intensa gravidade da estrela de nêutrons.

A partir de agora, a equipe continuará observando The Cow atentamente nos próximos meses, e certamente a ciência conseguirá aprender muito mais sobre a formação de objetos extremamente densos — seja The Cow um buraco negro, ou uma estrela de nêutrons.

Fonte: The Verge

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Estudo quer mostrar potencial de aproveitamento de resíduos no país

William Teodoro

Área queimada no Brasil fica 31% abaixo da média histórica em 2025

William Teodoro

Crédito rural financiou R$ 92,4 bi em áreas com alertas ambientais

William Teodoro

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade