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Chegou o dia da Black Friday

ALFREDO RISK

O comércio varejista deve movimentar um recorde de R$ 3,74 bilhões em vendas na cam­panha de promoções da Black Friday deste ano, que acontece nesta sexta-feira, 27 de novem­bro, calcula a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Se confirmado, o faturamento será 6% maior que o da temporada de liquidações de 2019, quando somou R$ 3,67 bilhões.

Porém, descontada a infla­ção do período, as vendas terão crescimento real de 1,8% em relação a igual período do ano passado, cerca de R$ 70 milhões a mais. “Será a primeira data do varejo a registrar crescimento este ano, pelo menos até agora. Desde a Páscoa até o Dia das Crianças, todas as datas come­morativas registraram queda nas vendas”, lembra o economis­ta Fabio Bentes, responsável pelo cálculo da CNC.

Em Ribeirão Preto, o mon­tante pode chegar a R$ 25,3 milhões, acréscimo de R$ 500 mil em relação aos R$ 24,8 mi­lhões do ano passado se a alta nas vendas seguir a tendência nacional prevista pela CNC, de 6%, já descontada a inflação e com crescimento real de 1,8%. O volume vendido pelo comér­cio eletrônico terá um salto de 61,4% na campanha de promo­ções da Black Friday deste ano, enquanto as lojas físicas vende­rão 1,1% a mais.

No entanto, as vendas on­line motivadas pela data de­vem ficar em torno de R$ 400 milhões, enquanto os R$ 3,34 bilhões restantes serão arreca­dados em lojas físicas. O levan­tamento considera que a nova onda de contaminação e inter­nações pela covid-19 no país não se traduza em fechamento de estabelecimentos comerciais até a Black Friday.

Se as medidas de restrição à disseminação do novo coronaví­rus forem novamente impostas nas próximas semanas, a proje­ção da CNC para uma elevação de 2,2% nas vendas do Natal deste ano em relação ao de 2019 pode ser ameaçada.

A Black Friday foi incorpo­rada ao calendário do varejo na­cional em 2010, mas já é a quinta data mais relevante para o setor, atrás do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais, aponta a CNC. Em 2020, o segmento de eletroeletrônicos e utilidades domésticas deve movimentar R$ 1,022 bilhão, seguido pelos ramos de hiper­mercados e supermercados (R$ 916,9 milhões), móveis e eletro­domésticos (R$ 853,4 milhões), vestuário, calçados e acessórios (R$ 328,7 milhões) e perfumaria e cosméticos (R$ 247 milhões).

Os comerciantes estão oti­mistas e contam com o paga­mento do décimo terceiro salá­rio para aquecer as vendas. Em Ribeirão Preto, a expectativa é que o benefício deve injetar cer­ca de R$ 728 milhões na econo­mia. A estimativa da Associação Comercial e Industrial (Acirp) prevê em torno de R$ 409 mi­lhões na primeira parcela, que será paga até 30 de novembro.

Prevê também mais R$ 319 milhões na segunda parcela, que será creditada até 20 de de­zembro – já com os descontos. De acordo com projeção da própria CNC, em todo o Brasil o pagamento do décimo ter­ceiro salário aos trabalhadores injetará R$ 208 bilhões na eco­nomia ao fim deste ano.

Segundo uma coleta diária de preços de mais de dois mil itens agrupados em 48 linhas de produtos ao longo dos últi­mos 40 dias encerrados em 15 de novembro, os produtos com mais chances de terem descon­tos atrativos são os consoles de videogame, que ficaram 19% mais baratos no período.

Em seguida aparecem no­tebooks, 17% mais baratos no período anterior às promoções; games para PC (14% mais ba­ratos); calça masculina (13% mais baratos); aspirador de pó e água (-11%); Smart TV Box (-10%); e tênis (-8%).

Na direção oposta, ficaram mais caros nas semanas que an­tecedem a Black Friday – e por isso menos propensos a descon­tos efetivos – os óculos de sol (10%), joysticks (15%), camisas de clubes de futebol (17%), col­chões (21%) e bicicletas (22%).

“A loja que vende uma bi­cicleta vai ter que dar um des­conto de pelo menos 30% para chamar atenção. O desconto, para ser efetivo, teria que ser ao menos de 23%. E a gente pes­quisa os cinco modelos de bici­cletas mais vendidos em cinco lojas diferentes”, diz o econo­mista Fábio Bentes.

Para amenizar transtornos aos consumidores durante a Bla­ck Friday que acontece em esta­belecimentos comerciais físicos e online, o Procon-SP está rea­lizando reuniões com as prin­cipais empresas que promovem promoções e descontos na data.

A fim de evitar dor de ca­beça, o consumidor deve com­parar preços entre lojas para avaliar se o valor é realmente promocional, checar endereço da empresa que oferta produtos, observar o prazo de entrega e conferir as políticas de troca de mercadorias. Segundo o Pro­con-SP, no ano passado, foram registradas durante a data 2.360 reclamações, sendo o principal problema relatado a demora ou não entrega do produto, com 41,86% do total das queixas.

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