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Obras atrasadas geram denúncia

ALEXANDRE DE AZEVEDO/ARQUIVO CCS

Por meio de ofício, a Asso­ciação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) pede ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) que investigue a situação do contrato das obras do Programa Ribeirão Mo­bilidade – a versão tucana do Programa Aceleração do Cres­cimento II – PAC da Mobilida­de – nas avenidas Dom Pedro I, no Ipiranga, e Saudade, nos Campos Elíseos.

Segundo a Acirp, o pedido de investigação tem por base o atraso para a conclusão das inter­venções e a falta de transparência em relação ao cronograma das obras, sob responsabilidade da Coesa Engenharia Ltda., vence­dora das duas licitações.

A associação afirma que já havia solicitado as informa­ções à prefeitura de Ribeirão Preto, incluindo também a di­vulgação detalhada do crono­grama de obras. Porém, diante da falta de resposta por parte da administração municipal, a entidade decidiu recorrer ao Ministério Público.

“As obras se arrastam há mais de um ano sem previsão formal de conclusão, causando prejuízo financeiro aos comer­ciantes, já prejudicados pela pandemia de coronavírus, e colocando em risco a seguran­ça de todos que transitam por ali, principalmente os idosos, crianças e cadeirantes”, comen­ta o presidente da Acirp, Dori­val Balbino.

No ofício enviado ao Mi­nistério Público, a Acirp exige que a construtora finalize com urgência o acabamento das calçadas por causa de vários relatos diários de acidentes com pedestres. “As obras re­presentam um verdadeiro caos na vida de todos os cidadãos do entorno”, diz Balbino.

“Não há como nenhum comerciante do local fazer qualquer planejamento para a retomada das atividades plenas e a normalidade de fluxo em seus comércios”, reclama Dorival Balbino. A Secretaria Municipal de Obras Públicas informou ao Tribuna que o cronograma de obras está à disposição para consulta. O contrato tem vigência até novembro.

As obras nas duas aveni­das fazem parte do Programa Ribeirão Mobilidade, com a construção de 56 quilômetros de corredores de ônibus para proporcionar maior conforto a 4.154.118 usuários do trans­porte público, além de pontes, túneis e viadutos.

As obras dos viadutos que estão sendo construídos na avenida Brasil, nos cruzamen­tos com as avenidas Mogiana e Thomaz Alberto Whately, na Zona Norte, e do túnel que vai ligar as avenidas Independên­cia e Presidente Vargas, sob a Nove de Julho, estão paradas porque a Construsolo pediu realinhamento dos preços pre­vistos nos contratos.

As intervenções nos eixos da avenida Dom Pedro I, no Ipiranga, e avenida Saudade­-rua São Paulo, nos Campos Elíseos, com 5,53 e 5,28 qui­lômetros de extensão, respec­tivamente, vão custar cerca de R$ 39.740.679,60. Serão beneficiados 2,5 milhões de usuários do transporte. As duas obras tiveram início em janeiro de 2020 e deveriam ser entregues em janeiro deste ano – doze meses, segundo as cláusulas contratuais.

O investimento total no Ribeirão Mobilidade se apro­xima de R$ 500 milhões. São R$ 310 milhões provenientes de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento II – PAC da Mobilidade Urbana e do Saneamento, do governo federal e, o restante do Finan­ciamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa) e outras agências de crédito.

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