Tribuna Ribeirão
Política

Conselho de Ética – Reunião analisa o caso Duda Hidalgo

ALFREDO RISK

O Conselho de Ética da Câmara de Ribeirão Preto pro­move nesta quinta-feira, 25 de novembro, a primeira reunião para analisar a denúncia contra a vereadora Duda Hidalgo (PT). Será às 17 horas e servirá para a definição, entre outros tópicos, do relator responsável por emitir parecer sobre o caso e recomen­dar se haverá ou não abertura de processo contra a parlamentar.

A informação é do presiden­te do conselho, Maurício Vila Abranches (PSDB). A denúncia foi feita pelo candidato a verea­dor derrotado em 2020, Nilton Antonio Custódio (PTB). Se­gundo as acusações protocola­das no Legislativo, a parlamen­tar teria usado o veículo oficial a que tem direito – um Renault Fluence placas EHE 3406 – para participar de eventos particula­res e partidários em outras cida­des do Estado.

De acordo com as denún­cias, o veículo teria sido visto entre os dias 14 e 21 de setembro nas cidades paulistas de Jundiaí, Sorocaba, Mauá, Diadema e São Bernardo do Campo. Nos docu­mentos protocolados, o denun­ciante, candidato a vereador pelo PTB nas eleições municipais do ano passado (147 votos), anexou cópia da planilha de desloca­mento do carro da parlamentar, nos referidos dias, assinado por ela e que comprovariam o deslo­camento para estes locais.

Nilton Custódio mora no Assentamento Mário Lago, na Fazenda da Barra. O Movimen­to dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) emitiu nota de repúdio contra a denúncia feita pelo petebista. Diz ainda que, “além de ato de calúnia, tal ati­tude demonstra a total concor­dância do cidadão em promover a disseminação de fake news, se­guindo o mesmo ditame do que há de pior na sociedade brasilei­ra, que é o bolsonarismo”.

Todo mês os vereadores são obrigados a entregar a planilha de utilização do veículo ofi­cial sob sua responsabilidade com a descrição dos locais que visitou e o trajeto feito. A de­núncia foi protocolada na pre­sidência da Câmara, em 17 de outubro, e encaminhada pelo presidente, Alessandro Maraca (MDB) para que a Coordena­doria Jurídica analisasse se o pedido preenchia os elementos técnicos de admissibilidade.

Para a Coordenadoria Jurí­dica, esses elementos existem, constam de despacho devolvido para a presidência, que leu as acusações na sessão da Câma­ra da última quinta-feira, 18 de novembro. Agora, a denúncia será analisada pelo Conselho de Ética, que poderá abrir processo contra Duda Hidalgo ou optar pelo arquivamento.

Procurada pelo Tribuna, a vereadora respondeu, em nota, que as acusações são infundadas e que se trata de um evidente caso de perseguição política, mais especificamente de violên­cia política contra uma mulher legitimamente eleita.

“Tenho plena segurança da licitude de minhas ações e minha defesa provará isso no processo. Ressalto que não se­rei intimidada e seguirei atu­ando como sempre atuei: um mandato combativo a serviço do povo ribeirão-pretano”, afir­ma a paramentar.

Esta não é a primeira vez que Duda Hidalgo se tornou alvo de denúncias. Em junho deste ano, a Câmara de Ribeirão Preto ar­quivou o pedido de cassação do mandato da vereadora. Na épo­ca, a parlamentar foi acusada de utilizar espaços públicos – dois viadutos de Ribeirão Pre­to – para instalar faixas contra o presidente Jair Bolsonaro por causa de sua atuação no com­bate ao coronavírus.

Ela registrou boletim de ocorrência e provou que a de­núncia era falsa, feita por Maria Eunice Machado da Silvana. A denunciante disse que outra faixa seria em apoio ao ex-presi­dente Luiz Inácio Lula da Silva, por causa da decisão do Supre­mo Tribunal Federal (STF) que o tornou elegível para as próxi­mas eleições presidenciais. Em seu parecer, o Conselho de Ética do Legislativo decidiu que os re­quisitos de admissibilidade exi­gidos para dar sequência ao pro­cesso não foram preenchidos.

Até Cadastro de Pessoa Fí­sica, segundo a Receita Fede­ral, não era da denunciante e estaria cancelado. O endereço que a autora passou também não existia. O Conselho de Ética da Câmara é presidido por Maurício Vila Abranches (PSDB). O vice-presidente é Brando Veiga (Republicanos) e conta ainda com a participa­ção de Renato Zucoloto (PP), Judeti Zilli (PT, Coletivo Popu­lar) e Sérgio Zerbinato (PSB).

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