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PERU – Violência amplia pressão por renúncia de Boluarte

HUGO COUROTTO/REUTERS

Há 35 dias no cargo, a pre­sidente peruana, Dina Boluar­te, enfrenta uma crise política, embates com o Congresso e assiste a manifestações diárias que pedem novas eleições. Até agora, 48 pessoas morreram, centenas ficaram feridas e o rápido aumento de violência pressiona a líder do Executivo a renunciar.

A única saída para a crise neste momento, segundo ana­listas, é a renúncia. Desde a de­posição de Pedro Castillo, que tentou dar um golpe e acabou destituído e preso, os protes­tos no Peru não pararam. O Ministério Público abriu uma investigação por genocídio em razão do alto número de mor­tos nos protestos e as tentativas no Congresso de antecipar as eleições fracassaram.

“Mesmo tendo verbalizado que seu governo será de transi­ção, a presidente parece não ter consciência disso e age como um governo regular, de cinco anos. O voto de confiança do Congresso é um exemplo disso. Ela parece não entender a sensi­bilidade para dimensionar o que está realmente acontecendo no país”, explica o analista político peruano José Carlos Requena.

No mesmo dia em que as manchetes dos jornais perua­nos estampavam 17 mortos na região de Puno, no sul do país, em razão dos confrontos entre manifestantes pró-Castillo e policiais, o MP abria a investi­gação contra Boluarte e alguns ministros e seu governo pedia um voto de confiança ao Con­gresso para ter legitimidade.

“O voto de confiança foi aprovado”, disse o presidente do Parlamento, José Williams, após a votação, que rendeu 73 votos a favor, 43 contra e seis abstenções. Mas a crise não di­minuiu. A região sul continua vivendo bloqueios de estradas, paralisações, manifestações e confrontos. Mas Boluarte se­gue sem falar em renúncia.

“Não acho que ela vá mu­dar de posição e isso a condena a uma instabilidade muito di­fícil de lidar”, afirma Requena. Em Puno, atual epicentro dos protestos, as demandas vão da renúncia de Boluarte à volta de Castillo. Na segunda-feira, os confrontos com a polícia começaram após um grupo tentar tomar o aeroporto na cidade de Juliaca.

Pelo menos 18 pessoas morreram, a maioria vítima de disparos, e o governo decretou toque de recolher na região de Puno. A preocupação agora é com o aumento das regiões que aderiram aos protestos. As autoridades peruanas registra­ram manifestações ou parali­sações em 31 das 195 provín­cias do país.

“Tivemos um pico de violên­cia, mas vemos que os protestos estão aumentando em termos geográficos. É preciso acompa­nhar as reações do governo. Se houver uma repressão que re­sulte em mais perdas de vidas, a situação pode piorar muito”, diz Requena. Os EUA pediram on­tem a redução “ao mínimo” do uso da força contra as manifes­tações e apoiaram a abertura da investigação sobre a repressão.

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