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Desenrola vai limpar nome de 1,5 milhão

FERNANDO FRAZÃO/AG.BR.

O programa federal de rene­gociação de dívidas – batizado de Desenrola Brasil, uma das promessas de campanha do pre­sidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – terá início, oficialmen­te, na próxima segunda-feira, 17 de julho, quando os bancos começam a limpar o nome de 1,5 milhão de consumidores negativados que devem até R$ 100. Uma portaria foi publicada nesta sexta-feira (14), no Diário Oficial da União.

A medida regulamenta as regras que ainda estavam pen­dentes para as operações do Programa Emergencial de Re­negociação de Dívidas de Pesso­as Físicas Inadimplentes, o De­senrola Brasil. A primeira etapa, além de limpar o nome dessa fatia de consumidores, também vai possibilitar a renegociação de dívidas bancárias de pessoas que têm renda de até R$ 20 mil men­sais – não há limite para o valor das dívidas.

A expectativa da Fazenda é de que sejam renegociados, neste primeiro momento, até R$ 50 bilhões de 30 milhões de brasileiros. Os montantes serão parcelados em ao menos doze meses. O programa tem o po­tencial de atingir 70 milhões de inadimplentes, o que represen­ta cerca de 40% da população adulta do país.

Regras
Só poderão ser objeto de renegociação as dívidas negati­vadas até dezembro do ano pas­sado. Essa linha de corte tem o objetivo de evitar que a ação seja vista como um estímulo à ina­dimplência futura. Além disso, não entram na revisão os débitos que têm garantias reais, como crédito imobiliário e de veículos.

Nessa primeira fase, o pro­grama Desenrola não vai contar com garantias do Tesouro Na­cional, ou seja, dinheiro público – esses recursos serão reservados para a segunda etapa da ação, que começará em setembro e terá como foco a baixa renda.

“As pessoas sairão da lista de negativados e voltarão a ter crédito, e os bancos terão R$ 50 bilhões a mais nos balanços para emprestarem”, diz Marcos Pinto, secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, responsável pelo de­senho do programa.

“Considero que o programa cumpre um papel essencial, em um momento delicado das fi­nanças das famílias brasileiras”, afirma Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Ban­cos (Febraban). Dados da Sera­sa referentes a outubro de 2022 e compilados pela Febraban apontam que as dívidas negati­vadas somam R$ 301,5 bilhões.

O ministro da Fazenda, Fer­nando Haddad, apresentou as ações do programa Desenrola Brasil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião nes­ta sexta-feira. Ele destacou dois pontos após o encontro: o perdão das dívidas de até R$ 100 e o leilão de descontos para negativados.

“Segunda-feira o Desenro­la começa para dois públicos. O público que está negativado até R$ 100, e aí o pressuposto do programa é de que o credor que aderiu ao Desenrola vai ter de perdoar essa dívida e desne­gativar aquele CPF (Cadastro de Pessoa Física). O segundo é a liberação de crédito para os ban­cos renegociarem dívidas bancá­rias”, disse.

Ribeirão Preto fechou maio com 294.532 inadimplentes, segundo a Serasa Experian. O total de pessoas em situação de inadimplência na cidade corres­ponde a 42,2% da população ri­beirão-pretana, de 698.259 habi­tantes, segundo dados do Censo Demográfico 2022, anunciados pelo Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística (IBGE).

Segundo a consultoria, em maio o valor médio que cada mo­rador da cidade devia na praça era de R$ 6.364, levando o mon­tante da inadimplência em Ribei­rão Preto para R$ 1.874.401.648. Em abril, os 293.137 consumido­res inadimplentes da cidade de­viam R$ 1.878.128.759. Houve queda de 0,20% na passagem de um mês para outro, R$ 3.727.111 a menos.

No estado de São Paulo, a maioria das pessoas tem débitos com o setor financeiro: bancos e cartões de crédito representam 33,53% das pendências, segui­dos por utilities (23,14%) – con­tas de luz, de água, gás e telefone, por exemplo – e como crediário no comércio varejista (7,49%).

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