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Laudo indica três tipos de veneno na morte de gatos em São Joaquim da Barra  

Laudo indica presença de mercúrio, chumbinho e pesticida nos estômagos dos gatos mortos em São Joaquim da Barra: suspeita está presa preventivamente ( Reprodução/Redes Sociais)

Aparecida Donizeti Berigo Blesio, de 60 anos, acusada de matar 23 gatos envenenados em São Joaquim da Barra, cidade a cerca de 70 quilômetros de Ribeirão Preto, em dezembro do ano passado, usou pelo menos três substâncias extremamente nocivas à saúde dos animais e também de humanos. 
 
O laudo foi emitido por um laboratório de análises clínicas a pedido da organização não-governamental (ONG) AuMiau, que seguiu por orientação da Polícia Civil. O relatório indica presença de mercúrio, aldicarb (chumbinho) e carbofurano (pesticida) nos estômagos dos animais. Aparecida Donizeti nega ter envenenado os pets.  
 
Em 22 de janeiro, o juiz Luiz Felipe Andrade Otoni, de São Joaquim da Barra, acatou denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra Aparecida Donizeti e tornou ré a mulher acusada de matar os gatos. Ela responde por maus-tratos com resultado morte devido ao suposto envenenamento dos felinos.  
 
O ato foi enquadrado como maus-tratos agravados, com base no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais. Pelo dispositivo legal, a conduta prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. A pena pode ser aumentada de um sexto a um terço quando ocorre a morte do animal. Porém, devido à presença de mercúrio no estômago dos gatos, ela também pode ser enquadrada no artigo 56 da mesma lei (número 9.605/1998). 
 
Prevê pena de um a quatro anos e multa para quem produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos. 
 
Se o produto ou a substância for nuclear ou radioativa, a pena é aumentada de um sexto a um terço. Aparecida Donizetti está presa na Penitenciária Feminina de Pirajuí, na região de Bauru. A denúncia da Promotoria de São Joaquim da Barra chegou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) no dia 17 de janeiro.  
 
A defesa não se manifestou, mas já disse em outras oportunidades que a acusada nega todos os crimes e vai provar inocência. O juiz Luiz Felipe Andrade Otoni  também autorizou a quebra de sigilo dos celulares de Aparecida Donizetti. 
 
A decisão do magistrado envolve acesso integral ao dados dos aparelhos de Aparecida Donizetti, incluindo mensagens de textos, áudios, fotos, agenda, mídias e vídeos, além de informações contidas em quaisquer aplicativos, incluindo WhatsApp. 
 
O crime ocorreu em 27 de dezembro, quando a suspeita colocou carne envenenada em via pública, causando o óbito dos animais que ingeriram o alimento contaminado. De acordo com a Promotoria de São Joaquim da Barra, câmeras de segurança registraram o momento em que a denunciada depositou os pedaços de carne na rua Paraná, próximo à sua residência.  
 
A motivação do crime seria a insatisfação com a presença dos animais na região. Aparecida Donizetti foi presa pela Polícia Civil em 9 de janeiro. A suspeita foi presa na localidade de Pioneiros, distrito de Guará, cidade vizinha. Ela já havia sido intimada e, no dia 31 de dezembro, foi até a Delegacia de São Joaquim da Barra, mas permaneceu em silêncio durante interrogatório. 
Na casa da suspeita, ao cumprirem mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram mais gatos mortos. De acordo com a Polícia Civil, já foram registradas 31 mortes de gatos e o objetivo é saber se os crimes foram cometidos pela mesma pessoa.  
 
A mulher de 60 anos já havia manifestado a testemunhas ouvidas pela polícia a intenção de eliminar os animais, de acordo com o delegado Gustavo de Almeida Costa. Ela está presa preventivamente após determinação da Justiça. De acordo com o policial, ela responde pelo crime de maus-tratos com resultado morte 
 
A polícia chegou até a suspeita após câmeras de segurança registrarem o momento dos envenenamentos e do relato de testemunhas que viram a mulher oferecendo comida aos gatos. De acordo com o delegado, Aparecida havia se mudado para o bairro há pouco mais de dois meses.  
 

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