Por: Adalberto Luque
Um homem, que não teve a identidade revelada, morreu na noite desta segunda-feira, 13 de outubro, após confronto com a Polícia Militar. O caso foi registrado na rua Constituição, Vila Tibério, zona Oeste de Ribeirão Preto.
Segundo a PM, uma viatura foi deslocada para atender a um caso de violência doméstica. De acordo com o capitão Felipe Holanda, os policiais militares foram até o local após a própria vítima denunciar que seuy companheiro a estava agredindo. Ele já havia cometido violência doméstica antes.
Assim que a viatura chegou, o homem apanhou uma faca. Os policiais teriam pedido para que ele largasse a faca. O homem teria ignorado o aviso e os policiais usaram uma taser – arma não letal que emite choque.
O artefato não conseguiu parar o homem, que partiu para cima dos policiais. “[Houve] um disparo de cada policial militar para que cessasse essa investida”, informou o capitão.
O homem não resistiu aos ferimentos e morreu antes que pudesse ser socorrido. As armas dos policiais e a faca do homem morto foram apreendidas. O local foi preservado para o trabalho de perícia. As armas apresentadas foram entregues na Central de Polícia Judiciária (CPJ), no Centro de Ribeirão Preto. A Polícia Civil vai investigar a ocorrência.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP/SP) confirmou a ocorrência. “Na ocasião, os policiais foram ao local para atender uma ocorrência de violência doméstica cometida pelo homem contra sua companheira, de 50 anos. O autor, munido da arma branca, investiu contra os agentes que intervieram com disparos de munição não letal. Mesmo assim, o homem continuou avançando contra a equipe, que precisou intervir com disparos de arma de fogo. Ele foi atendido por uma equipe do Samu, que constatou o óbito no local. Além da faca, uma porção de entorpecente foi apreendida com o autor. As armas dos policiais também foram apreendidas.”
A secretaria também informou que foram solicitados exames periciais e o caso, registrado como morte decorrente de intervenção policial, ameaça e violência doméstica, foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e Polícia Civil investiga o caso, com acompanhamento da PM.
Sobre a Letalidade, a SSP garante que tem combatido essa questão, investindo “continuamente na recomposição e capacitação do efetivo, além da atualização de protocolos operacionais e na aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo visando à redução da letalidade. Além disso, há comissões direcionadas para análise das ocorrências, visando ajustar procedimentos, revisar treinamentos e aprimorar as estruturas investigativas. Todos os casos de Morte Decorrente de Intervenção Policial (MDIP) são apurados rigorosamente pela Corregedoria, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário. Comprovadas irregularidades, os envolvidos são responsabilizados nos termos da lei”, conclui a nota.
Doze casos
Este foi o décimo primeiro caso de letalidade policial na cidade em dez ocorrências registradas em 2025. Considerando o assalto a um empório localizado entre as ruas Prudente de Morais e Sete de Setembro, na região Central de Ribeirão Preto, quando o ladrão morreu após ser alvejado pelo filho do comerciante, um PM que estava de folga, são doze mortes em onze ocorrências.

De 3 de julho até 13 de outubro foram seis mortes em confronto com a PM em Ribeirão Preto. Sete, se considerar o caso do PM de folga que matou um assaltante do comércio de seu pai no Centro da cidade.
O caso anterior ocorreu na noite de 6 de outubro, quando PMs foram informados de que um homem que havia cometido roubos na Vila Virgínia (zona Oeste) estaria escondido em um barraco na rua Tuiuti, uma pequena estrada de terra, continuação da avenida Álvaro de Lima, Vila Virgínia.
Os PMs entraram em um barraco sem iluminação e o homem estava armado. Ele foi alvejado e morreu no local.
Um dia antes, na tarde de 5 de outubro, um homem que vivia em situação de rua teria agredido policiais militares, chegando a desarmar um deles, e foi alvejado com um tiro disparado pelo outro PM, no Centro da cidade. Ele morreu com um tiro no tórax.
Reunião com a PM
O presidente da Associação Arco-Íris RP, Fábio de Jesus, convocou uma reunião com o comandante do Comando de Policiamento do Interior -3, coronel Rodrigo Quintino. Segundo ele, o objetivo é cobrar providências do caso Bruno Ferreira dos Santos, de 27 anos.
Bruno era o homem em situação de rua que foi morto em confronto com policiais militares na manhã do domingo, 5 de outubro, no Centro de Ribeirão Preto. Segundo Fábio, Bruno era assistido pela Arco-Íris e sempre foi uma pessoa tranquila. “Nunca roubou, nunca mexeu com ninguém, nunca bateu em outra pessoa. Era usuário, mas nunca atentou contra ninguém. Nós fazíamos atendimento do Bruno”, revela o presidente da Arco-Íris.
Ele pretende apresentar uma pauta de reivindicações para o comandante regional da PM. Em relação ao caso Bruno, Fábio disse que vai pedir providências para este caso, indagando se foi instaurado um inquérito administrativo e se os policiais foram afastados.

O presidente da associação também disse que vai pedir para que sejam revistas abordagens policiais, que andam muito violentas na sua opinião. Ele cita o caso de travestis e transexuais que fazem ponto próximo à antiga fábrica da Antarctica, na Vila Tibério, zona Oeste. Uma testemunha, que vai participar da reunião com o coronel, vai falar sobre como anda violenta a abordagem dos policiais militares naquela região.
“Também vou propor que seja feita uma capacitação para abordar a população LGBTQIA+ e outros grupos vulneráveis na cidade, como pessoas em situação de rua”, afirma.
O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção Ribeirão Preto, Douglas Campos Marques, também vai participar da reunião. Ele disse que preocupam os casos de letalidade policial na cidade. “Em menos de um mês, foram cinco casos. Tanto no caso do Bruno, quando no caso de ontem [13 de outubro],, a tal da arma de choque não foi suficiente para parar o cara. Estou muito preocupado com isso. Não tem cabimento”, avalia o advogado criminalista.
A reunião será realizada na quarta-feira, 15 de outubro, na sede do CPI-3, à rua Cavaleiro Paschoal Innechi, no Jardim Independência, zona Norte. Também devem participar a Comissão de Direitos Humanos da OAB Ribeirão Preto, a Ong Vitória Régia e representantes do Conselho Municipal da Diversidade Sexual, entre outros órgãos.
Atualizado às 12h40.

